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"A preservação do patrimônio tem entre suas funções o papel de realizar “a continuidade cultural”, ser o elo entre o passado e o presente e nos permite conhecer a tradição, a cultura, e até mesmo quem somos, de onde viemos. Desperta o sentimento de identidade."
Margarita Barreto
A Banda da Banda de Lá

Luiz Egypto de Cerqueira

Benedito Alves era maestro da banda de Santa Cecília, em São Luiz do Paraitinga, no início do século passado. As velhas fotografias não enganam: na cidade havia piano de cauda, ouvia-se música nas ruas e os saraus invadiam a noite escura dos lampiões e candeeiros.

Na casa de Benedito, o mestre Dito, e dona Ditinha, dois beneditos caipiras, Elpídio dos Santos nasceu em meio ao entra-e-sai dos ensaios da banda. Sim, a Banda de Santa Cecília ensaiava na casa deles. A data é 14 de janeiro de 1909: início de uma infância educada nos segredos do andamento, no gosto pelas harmonias, ritmos e melodias.

Aos vinte e um anos Elpídio compôs a primeira canção, letra e música. Desengano era o nome. Curioso: começou com desiluSão e desesperança, as piores acepções de desengano, e percorreu a vida num crescendo de encantamentos musicais e de não cosmopolita, caligrafada em letra redonda e alinhada. Foi o que fez até 1970, quando morreu o homem e ficou a fama: E a obra.

Foi apontador de jogo de bicho, funcionário de cartório e finalmente bancário. Elegeu o violão como instrumento preferido, mas não fazia feio com outras cordas e sopros. Arranhava o piano. Era um excelente professor. Galante e boêmio, embora não gostasse de álcool. Tinha a estranha mania de não beber nada que viesse em garrafas.

Casou-se com Cinira. Sobre ela, disse e repito: “Foi a mulher da vida de Elpídio dos Santos, compositor multifacetado e músico fino. O mestre compôs sambas, toadas, foxes, guarânias; escreveu músicas para filmes de Amacio Mazzaropi. Elpídio dos Santos fez de tudo um pouco, inclusive esculturas e telas, além de letras e músicas. Faria muito pouco sem Cinira”

 
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