TEME-SE QUE
a proposta de reforma tributária do governo
aumente a pesada carga tributária de 36%
do PIB que incide sobre a população
brasileira. Se isso ocorrer, será mais
uma vez a classe média que sofrerá
a maior parte das conseqüências.
Vale lembrar que os ganhos econômicos
atuais têm excluído a classe média.
Na base da pirâmide econômica, os
avanços têm sido significativos
com o Bolsa Família, a elevação
do salário mínimo para mais de
US$ 200 mensais e o aumento do emprego e da
renda familiar. Da mesma forma, o topo da pirâmide
não pode reclamar de Lula, que tem praticado
uma política econômica reconhecidamente
pró-mercado e que tem produzido altos
lucros e polpudos rendimentos financeiros para
os setores rentistas e empresariais. Nada a
criticar.
Contudo a classe média só tem
sido lembrada na hora de pagar a conta tributária
da significativa expansão dos gastos
públicos. Entendem-se nesse estrato social
os assalariados que pagam Imposto de Renda,
ou seja, cujos rendimentos situam-se acima do
limite de isenção de R$ 1.372,81.
Esse grupo tem sido onerado implacavelmente
pelos impostos diretos e indiretos.
Nesse sentido, vale ressaltar uma importante
iniciativa do Partido da República batizada
de Imposto Mínimo, que busca complementar
o projeto de reforma tributária do ministro
Guido Mantega por meio da desoneração
do trabalho, tanto para o empregador como para
o empregado.
O Brasil tributa em excesso os rendimentos
do trabalho. A proposta, discutida com os ministros
Guido Mantega e Dilma Rousseff, elimina a partir
de janeiro de 2009 os 20% do INSS patronal.
Em seu lugar, seria criada uma contribuição
previdenciária de 0,5%, que incidiria
sobre o débito das movimentações
financeiras. Conforme simulações
com base na matriz insumo-produto do IBGE, essa
medida promoveria uma expressiva redução
na carga tributária e nos preços
em todos os setores da economia.
Para beneficiar a classe média assalariada,
o projeto do Imposto Mínimo do PR propõe
uma significativa elevação do
limite de isenção do IRPF, que
poderia chegar a até R$ 30 mil por mês,
e a perda de arrecadação seria
compensada por meio da cobrança de até
0,5% sobre o crédito das movimentações
financeiras. Não haveria cobrança
das pessoas que movimentam até o limite
de isenção do IRPF.
Vale ressaltar que o projeto elimina o IR para
o trabalho assalariado. O Imposto de Renda incidente
sobre rendimentos de capital, remessas ao exterior
e outros continuaria sendo cobrado da mesma
forma como ocorre atualmente.
Alguns críticos são contra a
eliminação do IRPF para níveis
de renda como o previsto na proposta, sob a
alegação de que o patamar de isenção
é relativamente alto quando comparado
com a renda per capita e que essa medida criaria
uma espécie de "paraíso fiscal"
no país. Essas conclusões são
falsas: primeiro porque não é
correto definir classe média por meio
de conceitos relativistas. Quanto à crítica
de que se estaria criando um "paraíso
fiscal", cabe citar que, conforme apurou
o Banco Mundial em 2003, 40% do Brasil é
informal. Ou seja, o país já é
um "semiparaíso fiscal", e
a substituição do IRPF por um
tributo sobre a movimentação financeira
seria a vacina contra essa anomalia.
A desoneração do trabalho é
um projeto viável para o Brasil: valoriza
a classe média, base do crescimento sustentado;
combate a sonegação de impostos;
e minimiza a metástase dos nódulos
de "paraísos fiscais" disseminados
entre nós.