Infelizmente, muito
pouco ficou registrado sobre a História indígena
da região na época pré-colonial.
Sabe-se que a ilha de São Vicente, onde hoje
está a cidade de Santos, chamava-se Guaiaó;
seus habitantes originais, pertencentes à grande
nação tupi, possuíam vários
núcleos habitacionais na região e, no
princípio conviviam bem com os primeiros europeus
que vieram habitar as novas terras, como João
Ramalho e Cosme Fernandes. Já os tamoios eram
extremamente belicosos. Os indígenas viviam basicamente
da cultura extrativista, subsistindo da pesca, da caça
e da exploração de riquezas naturais da
Mata Atlântica, até a chegada dos primeiros
colonos.
Depois da vinda da armada de Pedro Álvares
Cabral em 1500, que oficializou perante a História
o descobrimento do Brasil, em 1501 o rei português
D. Manoel ordena expedição exploradora
ao Brasil, convidando o renomado florentino Américo
Vespúcio para participar como piloto e cosmógrafo.
A expedição de três naus era comandada
por André Gonçalves e durante um ano
cartografou a costa, demarcou terras e deu nomes a
ilhas e rios da costa brasileira. Foi Vespúcio
quem batizou com o nome de São Vicente, pois
era dia de S. Vicente, a ilha conhecida como Ilha
de Gaiaó ou Guaiaó.
Uma das cartas de Vespúcio relatando a viagem
revela que num dos navios dessa expedição
veio um "bacharel," degredado por D. Manoel,
e que foi deixado em Cananéia; o degredado,
conhecido pela História como Mestre Cosme Fernandes,
veio a desempenhar papel importante no início
de nossa História e a ele é atribuída
a Fundação dos povoados de Cananéia,
Iguape e até do próprio povoado de São
Vicente.
A costa brasileira e a região de São
Vicente eram alvo de muitas expedições
oficiais e não oficiais, particulares e clandestinas,
que aqui vinham em busca de escravos e do precioso
pau-brasil, objeto de Comércio e também
de contrabando. Entre cinco e trinta anos antes da
chegada de Martim Afonso de Souza e da criação
oficial de São Vicente, muitos estrangeiros
já haviam se estabelecido na região,
que era muito propícia à Fundação
de feitorias e habitada por indígenas amistosos.
Dentre os estrangeiros aqui estabelecidos e que maior
relação tiveram com o primitivo povoado
de São Vicente podemos citar Mestre Cosme Fernandes,
Gonçalo da Costa (genro de Mestre Cosme), Francisco
de Chaves (também genro de Mestre Cosme), Pero
Capico, Henrique Montes, Antonio Rodrigues, João
Ramalho e Aleixo Garcia.
Mestre Cosme, que vivia em Cananéia desde 1502,
casou com uma filha do chefe indígena Piquerobi
e veio para São Vicente em 1510, onde fundou
um povoado, organizou um porto de serventia na boca
do rio de São Vicente (atual Estuário),
fez fortuna e prosperou com um grande negócio
de escravos, um estaleiro localizado no Japuí,
e com o fornecimento e suprimento de navios que por
aqui passavam a caminho do Paraguai e do Prata.
A esquadra de Martim Afonso fundeia no Porto das
Naus, na concepção de Calixto.
Em dezembro de 1531, a expedição
colonizadora chefiada por Martim Afonso de Souza fundeia
seus navios defronte à praia do Sol (praia
do Góis), na Ilha de Santo Amaro. Nessa época,
o povoado de São Vicente já possuía
cerca de dez ou doze casas, muitas habitações
indígenas, armazéns para mantimentos,
embarcações, uma pequena torre de pedra
para defesa, o Porto das Naus para navios de grande
calado (na chamada barra grande), um porto para embarcações
menores (na chamada barreta, no povoado de São
Vicente) e grande atividade econômica, pois
era posto de troca de mercadorias entre índios
e moradores e, sobretudo, local de fornecimento de
água e suprimento dos navios que por aqui passavam.
Martim Afonso, que vinha na qualidade de Capitão-Mor,
trouxe 400 soldados e inúmeras bocas de fogo
para expulsar o degredado Cosme Fernandes e sua gente
de São Vicente e também para combater
piratas franceses e ingleses na costa brasileira.
Com ele também vieram 27 nobres, colonos e
artífices. Entre os recém chegados estavam
Pero Capico, Henrique Montes e outros que aqui já
haviam morado. A vinda de Martim Afonso faz com que
Mestre Cosme, condenado a viver seu degredo em Cananéia,
seja obrigado a se retirar de São Vicente,
abandonando seus negócios e retornando com
sua numerosa família a seus antigos sítios
de Iguape e Cananéia.
Como Capitão-Mor e Governador, Martim Afonso
suspende os negócios de escravos e com a autorização
do rei D. Manoel, em 22 de janeiro de 1532 dá
foro de Vila ao povoado de São Vicente, que
veio a se tornar a "celula mater" brasileira,
capital da Capitania que tomou o seu nome, assim como
o antigo Porto das Naus se tornou Porto de São
Vicente. Em São Vicente Martim Afonso constrói
uma pequena capela, um pelourinho, e a primeira instituição
democrática do país: a Câmara
de São Vicente. Martim Afonso manda João
de Souza de volta a Portugal com notícias de
seu progresso para o rei D. Manoel. Este, satisfeito,
cria a "Donataria de São Vicente"
e a concede a Martim Afonso, que passa a possuir todas
as terras da Capitania.
Pero Lopes, um dos comandantes de Martim Afonso,
adentra o Rio São Vicente (estuário)
em reconhecimento e depara com o já conhecido
Porto das Naus, na altura de onde hoje fica o Museu
de Pesca. Para lá ele leva as naus da armada,
vara uma das naus em terra e constrói uma casa
para guardar velas e equipamentos dos navios. Ali,
no Porto de São Vicente, na atual Ponta da
Praia vieram a existir os primeiros trapiches e casas
de fiscalização alfandegária
de São Vicente, ponto que veio a constituir
o primeiro núcleo administrativo santista.
Martim Afonso distribui terras e as pessoas que com
ele vieram avançam pelas águas mais
adentro, à procura das melhores fontes de água
e terras, fixando-se na região conhecida pelo
nome indígena de Enguaguaçu ("enseada
grande"), que possuía uma sucesSão
de boas aguadas e terras secas e boas para o plantio.
Entre 1532 e 1540, nela haviam se estabelecido o fidalgo
Luiz de Góis e sua mulher Catarina de Andrade
e Aguilar (que se estabeleceram próximo a um
outeiro e aí construíram a capela de
Santa Catarina), José e Francisco Adorno (nobres
genoveses que trouxeram cana e um engenho "desmontado"
da Ilha da Madeira), Domingos Pires e Pascoal Fernandes
(considerados os primeiros povoadores do Enguaguaçu),
André Botelho e Mestre Bartolomeu Gonçalves
(que se estabeleceu no Morro do Desterro). Nos arredores
do Enguaguaçu, nas Áreas agrícolas
vizinhas, se estabeleceram Francisco Pinto, Rui Pinto,
Antonio Rodrigues de Almeida, Pero de Góis,
Henrique Montes e Jorge Ferreira, todos articulados
com o Engenho de São João, dos irmãos
Adorno. A Brás Cubas, criado de Martim Afonso
e futuro feitor da nova colônia, coube o Monte
de São Jerônimo (Monte Serrat). Nessa
época, os colonos tinham a concesSão
das terras, mas não a sua propriedade, que
viria depois, de acordo com o seu desenvolvimento,
no sistema de sesmarias.
Em 1532 Pero de Góis constrói o primeiro
engenho da Capitania na região do atual Sítio
das Neves - o Engenho Madre de Deus. Em 1533 começa
a funcionar o Engenho São João, dos
irmãos Adorno, construído próximo
ao atual Morro de São Bento. O início
agrícola e industrial do Enguaguaçu
em 1532 é consolidado com a Fundação
do Engenho do Governador ou Engenho do Trato em 1534,
construído aos pés do Morro da Nova
Cintra, em parceria formada por Martim Afonso, Johan
Van Iste (que chamavam João Veniste), Francisco
Lobo e Vicente Gonçalves. Martim Afonso determinou
que a cana necessária para a produção
do engenho fosse fornecida pela roça de Rui
Pinto, o que tornava este úlimo "partidista"
do negócio (mais tarde esse engenho foi vendido
ao holandês Erasmus Schetz e passou a ser chamado
Engenho de São Jorge dos Erasmos, e com esse
nome São conhecidas as suas ruínas até
hoje). De outro lado, Pascoal Fernandes e Domingos
Pires, os primeiros povoadores do Enguaguaçu,
se associaram na construção de uma casa
e na plantação de cana para suprir o
Engenho São João, de José Adorno,
também conhecido como "Genovês".
Como "partidistas" do engenho, eles plantaram
na Área entre o Estuário e a encosta
do São Jerônimo, desde o atual Corpo
de Bombeiros até onde hoje está a Cadeia
Velha. Este tipo de sociedade, uma espécie
de sociedade anônima primitiva, durou séculos
no Brasil.
Em 1534 as forças de Iguape, compostas por
espanhóis, portugueses e indígenas agregados
(grande parte deles gente de Piquerobi), liderados
por Mestre Cosme Fernandes e seus genros, atacam a
Vila de São Vicente como um desagravo por terem
perdido tudo o que haviam construído durante
vinte anos. Os poucos soldados que Martim Afonso deixara
na Vila capital não constituíram resistência
e São Vicente foi saqueada e destruída.
Os moradores fugiram apavorados e se refugiaram na
povoação que surgia no Enguaguaçu.
Esse fato acarretou num aumento da População
do nascente povoado e, muitos dos refugiados, mesmo
depois de passado o perigo, acabaram por permanecer
no Enguaguaçu.
Em maio de 1533, Martim Afonso de Souza parte para
Portugal e deixa seu servidor pessoal, Brás
Cubas, como feitor arrecadador na povoação.
Com a morte de Henrique Montes, assassinado por ocasião
do ataque à São Vicente em 1534, Brás
Cubas passa a almejar a posse de suas terras, uma
vez que as terras que lhe couberam, nos arredores
do Monte Serrat, eram pequenas e encravadas entre
as grandes Áreas de Pascoal Fernandes e Domingos
Pires. Em 1535, ele deixa em seu lugar, como feitor,
a Rodrigo de Lucena, e parte então
Brás Cubas, em bico de pena de Lauro Ribeiro
da Silva para o Reino afim de pleitear junto a Ana
Pimentel, procuradora de Martim Afonso, a posse das
terras que queria - as terras do Jurubatuba e da Ilha
Pequena (atual Barnabé). Em 1537 o pai de Brás
Cubas, João Pires Cubas, chega para cultivar
a terra no lugar do filho, mas não consegue
devido à oposição dos índios.
Passa então a cultivar as terras da primeira
sesmaria de Cubas, nos arredores do Monte Serrat.
Em 1540 Brás Cubas retorna de Portugal trazendo
gente suficiente para enfrentar os índios do
lugar e se estabelece na Ilha Pequena, depois chamada
Ilha de Brás Cubas e, mais tarde, Ilha dos
Frades (por ter sido doada aos frades do Carmo).
Depois de oito anos ausente, assim que retorna de
Portugal em 1540, Brás Cubas começa
a lutar pelo desenvolvimento do povoado e consegue
do Capitão-Mor Antonio de Oliveira a autorização
para transferir o antigo Porto de São Vicente
de onde estava (na atual Ponta da Praia) para o fundeadouro
do Enguaguaçu. Com o porto na atual Ponta da
Praia os marinheiros que permaneciam na região
por períodos curtos tinham que ficar no meio
do nada; por sua vez, os fazendeiros tinham de conduzir
suas cargas mais pesadas até o porto em canoas
(o que era perigoso) ou rodeando a ilha a pé
(o que era demorado). A nova localização
do porto defronte à povoação
era muito mais conveniente para todos e, a partir
daí, o povoado de Enguaguaçu passou
a ser chamado de Porto de São Vicente, por
atender a todos os navios que vinham para São
Vicente. Ao novo porto convergiam a produção
dos fazendeiros do Enguaguaçu, dos moradores
da Vila de São Vicente, bem como os da Ilha
de Santo Amaro e Bertioga.
Foi também em 1540 que o fidalgo Luiz de Góes
contruiu uma capela em homenagem a Santa Catarina,
no outeiro próximo a sua casa e que levou seu
nome - Outeiro de Santa Catarina.
A Casa do Trem Bélico e, ao fundo o outeiro
e a Capela de Santa Catarina, em quadro de Benedicto
Calixto.
Em 1541 um maremoto destrói em São Vicente
a Casa do Conselho, a Igreja, o Pelourinho e diversas
casas da Vila. Muitos dos moradores, alarmados, resolvem
mudar para a povoação do Enguaguaçu.
Esse fato dá novo empurrão ao desenvolvimento
do povoado e, com o aumento da População
regular, em 1542 surge a idéia da construção
de um hospital, colocando-se Brás Cubas à
frente da iniciativa, que arrecada dos colonizadores
mais abastados as contribuições que
garantam os meios para a construção.
Em 1543 é fundado o hospital, influência
das Casas de Misericórdia de Portugal, para
atender aos enfermos dos navios que ali aportavam
e aos moradores de toda a região. O local escolhido
para o hospital foi o sopé do outeiro de Santa
Catarina (onde hoje se situa a Rua Visconde do Rio
Branco). O hospital recebeu o nome de Hospital de
Todos os Santos inspirado no nome do grande hospital
de Lisboa e na data da sua Fundação
- o dia de Todos os Santos. Segundo Frei Gaspar da
Madre de Deus, o povoado do Enguaguaçu passou
a ser chamado Povoado do Porto de Todos os Santos
e de Porto de Santos, por causa do nome do hospital.
A Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos
foi o primeiro hospital do Brasil e subsiste até
hoje.
Em 1544 Brás Cubas adquire terras de Pascoal
Fernandes e Domingues Pires, vizinhas a sua primeira
sesmaria junto ao Monte Serrat. São as primeiras
terras que ele compra no Enguaguaçu e ali ele
constrói uma casa e se estabelece. Também
em 1544 é nomeado o primeiro juiz do povoado,
Pedro Martins Namorado. A nomeação de
um juiz se deveu a um pedido dos próprios camaristas
de São Vicente ao Capitão-Mor da Capitania
e foi determinante para a elevação do
povoado de Santos à condição
de Vila.
Em 1545 Brás Cubas assume o cargo de Capitão-Mor
da Capitania de São Vicente. Ninguém
sabe ao certo quando Brás Cubas deu foro de
Vila ao povoado de Enguaguaçu - presume-se
por documentos e escrituras daquela época ter
sido em fins de 1546, provavelmente em 1° de novembro,
por ser o dia de Todos os Santos, reservado a grandes
ocasiões, segundo os usos da época.
A Vila recebeu o nome de Vila do Porto de Santos,
por inspiração da data ou do nome do
hospital fundado em 1543. Nessa época, a Igreja
de Santa Catarina construída por Luiz de Góis
passa a ser a Matriz da Vila, e a Casa da Câmara
é erguida também junto ao Outeiro.
O rei de Portugal envia Antonio Cardoso de Barros
como Provedor-Mor ao Brasil com a misSão de
organizar a arrecadação dos impostos
na colônia, criando ele casas de alfândega
em todas as vilas marítimas por onde passa.
Em Santos, ela foi instalada em casa junto ao prédio
do Conselho. Em 1551, Brás Cubas recebe do
Provedor-Mor uma Carta de Mercê que o torna
Provedor da Fazenda Real da Capitania de São
Vicente. Vinte anos depois, devido à concentração
do Comércio no Valongo, a alfândega mudou
para um local da atual Rua Riachuelo e depois passou
a funcionar num casarão chamado popularmente
de "Consulado", na Rua da Praia que, por
causa disso, passou a ser conhecida como Rua da Alfândega
e depois Rua do Consulado (atual Frei Gaspar).
Os primeiros jesuítas chegaram aqui por volta
de 1550 e fundaram um colégio na Vila capital,
São Vicente. Em 1567, O Pe. José de
Anchieta, convencido da necessidade de transferir
o Colégio Jesuíta da Vila de São
Vicente para a Vila de Santos, requer junto ao Conselho
a doação de terreno existente junto
à Casa da Câmara e inicia a construção
de casa provisória para o abrigo dos padres.
Tendo ele que se ausentar, e também por falta
de recursos, a obra acabou paralisada.
Em 1552 Brás Cubas, por ordem de Tomé
de Souza, manda erguer a Fortaleza de São Felipe
na entrada da Barra da Bertioga. No entanto, a presSão
dos hostis tamoios do litoral norte pareceu aumentar,
principalmente sobre os ocupantes de Bertioga e da
Ilha de Guaibê (Santo Amaro). Os moradores da
nova Vila sentiam-se inseguros e ameaçados.
O medo e a Fundação do povoado de São
Paulo de Piratininga, em 1554, atraiu parte dos colonos
sem terra para o Planalto, enquanto outros voltaram
para Portugal. Em 1557, é construída
a Fortaleza de São Tiago, defronte à
primeira, fechando a defesa da entrada do Canal de
Bertioga.
Mem de Sá vem a Santos em março de 1560
e manda construir, junto à Vila e próximo
ao ribeirão do Itororó, o Forte da Vila.
Depois segue para o planalto e dá foro de Vila
a São Paulo de Piratininga.
Em 1562, José Adorno e sua mulher, Catarina
Monteiro, constróem uma igreja nas proximidades
do rio São Jerônimo, em terras do Engenho
São João, de sua propriedade - a Igreja
de Nossa Senhora da Graça.
Em 1563 a População entra em pânico
com o anúncio de uma confederação
de todas as tribos tamoias visando atacar e destruir
tudo o que os colonizadores tinham construído.
Os jesuítas Manuel da Nóbrega e José
de Anchieta se oferecem para tentar conter os índios
e alguns santistas, liderados por José Adorno,
se reúnem para levá-los. Eles partem
em caravana de dez bergantins para Ubatuba e, após
alguns meses de conversas e negociações,
os jesuítas conseguem apaziguar os índios
e é firmado o Armistício de Iperoig
entre os aborígenes e os portugueses, o que
salvou toda a obra colonizadora.
Em 1565 esteve em Santos Estácio de Sá,
preparando a expedição que expulsaria
os franceses instalados no Rio de Janeiro. Alguns
espíritos mais aventureiros se uniram a ele,
entre eles José Adorno, que chegou a custear
parte das despesas. A expedição partiu
no ano seguinte com um pequeno exército. Sabedores
deste fato, uma parte da tribo dos Tamoios, simpatizantes
dos franceses, aproveitou para atacar as duas Vilas.
Mas a resistência formada por guaianases e carijós
conseguiu expulsar os invasores. Pouco tempo depois,
em 1570, é decretada a lei proibindo a escravidão
dos índios no Brasil, fato que pacifica os
ânimos do gentio e beneficia profundamente os
colonizadores.
Em 1580, Felipe II da Espanha invade Portugal e a
Casa Real Portuguesa e todos os seus domínios,
inclusive o Brasil, passam a pertencer à Espanha.
Com a tomada do trono português pela Espanha,
piratas holandeses e ingleses, ferrenhos inimigos
dos espanhóis, passam a atacar naus da Espanha
e suas colônias, incluindo o Brasil. Os ataques
se tornam ainda mais constantes depois da destruição
da "Armada Invencível" espanhola
em 1588, comprometendo o Comércio da colônia
com a Europa e reduzindo consideravelmente as atividades
do porto de Santos.
Em 1583 Santos é invadida pelos corsários
ingleses de Edward Fenton. Não chegou a ser
tanto uma invaSão, mas mais uma "insinuação".
Eles alegaram precisar dos serviços de um ferreiro,
espalhavam que Felipe da Espanha havia morrido e tentavam
convencer a População a se colocar sob
o protetorado inglês. Mas um navio espanhol,
sabendo que Fenton fora visto rondando a costa vicentina,
adentra pelo porto e expulsa os ingleses. Depois desse
fato, Felipe II manda construir um forte na entrada
da barra de Santos - o Forte de Santo Amaro ou Fortaleza
da Barra Grande que, juntamente com os fortes de São
Tiago e São Felipe guardavam todos os possíveis
acessos por mar à Vila do Porto de Santos.
Em 1585, o visitador da Companhia de Jesus Pe. Cristóvão
de Gouveia consegue junto à Câmara a
cesSão da própria casa da Câmara,
que estava prestes a se transferir para novo prédio.
Assim, os jesuítas se transferem da Vila de
São Vicente para o novo prédio em Santos
e fundam o Colégio dos Jesuítas, mais
tarde Colégio São Miguel, a primeira
fonte de instrução da Vila.
Em 1580 chegam à Vila os primeiros carmelitas
e, por falta de outro lugar, se abrigam na Igreja
de Nossa Senhora da Graça. Em 1589, os Adorno
acabam por doar a Igreja da Graça aos carmelitas
e Brás Cubas lhes doa um terreno vizinho onde
eles constróem um precário convento.
Dez anos depois os carmelitas iniciam a obra de seu
convento e igreja definitivos, na atual Praça
Barão do Rio Branco. A Igreja de N. Senhora
da Graça, presente na cidade por 340 anos,
foi derrubada para alargamento da antiga Rua do Sal
(Rua José Ricardo).
O novo prédio da Casa do Conselho, que abrigava
a Câmara e a Cadeia, nos idos de 1610, em quadro
de Calixto. Ao fundo se avista a torre da Igreja do
Carmo.
O título acima foi a manchete de um artigo
jornalístico da época. Assim foi relatado
o segundo ataque inglês a Santos, dessa vez
comandado por Thomas Cavendish. Na noite de natal
de 1591, as forças do Forte da Vila, certas
da proteção do Forte da Barra Grande,
estavam totalmente desprevenidas e a População,
concentrada na Igreja de Santa Catarina, comemorava
as festas natalinas. Um navio inglês adentra
a barra sem ser avistado, fundeia no porto e mira
seus canhões para o Forte da Vila, ordenando
a sua rendição. A tripulação
que desembarca, brutal e esfomeada, entrega-se ao
saque e a deprecações, provocando a
fuga de todos os moradores para os sítios vizinhos
e para as matas. A própria imagem de Santa
Catarina foi arrancada da capela e lançada
às águas do Enguaguaçu, onde
permaneceu perdida por 90 anos, até ser resgatada
por pescadores. Os ingleses permaneceram na Vila por
dois meses, respondendo aos ataques da resistência
que se formara. Não conseguindo o retorno da
População, Cavendish acaba por se retirar.
Um dos maiores prejuízos desse ataque a Santos
foi a destruição de documentos e preciosos
registros históricos.
O Governador da Capitania de São Vicente, Don
Francisco de Souza, manda construir em 1603 a Capela
de Nossa Senhora do Monte Serrat, no alto do morro
de São Jerônimo que, a partir de então,
foi perdendo seu nome original para se denominar Monte
Serrat.
Em março de 1615, Santos sofre o ataque da
frota holandesa de Goris Van Spilbergen, ataque que
dura algumas semanas e que encontra a resistência
desesperada dos moradores das duas Vilas, socorridos
pela gente de São Paulo sob comando de Amador
Bueno da Silveira e Lourenço Castanho Taques.
Reza a tradição que os santistas buscaram
refúgio no alto do Monte Serrat e que sobre
os corsários que os perseguiam desabou uma
parte do monte, matando-os. A devoção
a Nossa Senhora do Monte Serrat cresceu tanto que
ela veio a se tornar a padroeira oficial de Santos.
Em 1639 um frade franciscano vem a Santos examinar
o local para a instalação de um convento.
No ano seguinte chega à Vila um grupo de sete
ou oito frades, que recebem terras doadas pelo Capitão-Mor
e pela Câmara local e iniciam a construção
de um convento. Até eles poderem se instalar,
foram acolhidos na Capela de Nossa Senhora do Desterro,
então de propriedade de Bartolomeu Fernandes
Mourão. No mesmo ano eles se mudam para o convento
parcialmente pronto e, em 1642 iniciam a construção
do convento definitivo e da igreja, que permanece
de pé até hoje, no Valongo.
Dez anos após a chegada dos franciscanos, chegam
a Santos os monges beneditinos que fundam o Mosteiro
de São Bento na própria Capela de Nossa
Senhora do Desterro, doada à ordem beneditina
por Bartolomeu Fernandes Mourão. O mosteiro
foi erguido junto à capela já existente
e que hoje é a mais antiga da cidade. Em 1656
a Igreja do Monte Serrat também é doada
aos beneditinos.
A Vila de Santos entra em uma fase de marasmo e decadência.
Vários fatores contribuem para o esvaziamento
da Vila: as invasões estrangeiras que haviam
solapado a Vila e afugentado moradores, a participação
de Santos na guerra travada contra os holandeses no
norte do país, a busca por oportunidades melhores
no planalto, a fuga das doenças infecciosas
que o clima e o terreno alagadiço do litoral
faziam proliferar e a fase do bandeirismo que se seguiu,
atraindo os filhos da terra para aventuras em busca
de minas no interior da Capitania. O esvaziamento
da Vila acarreta o esgotamento econômico, não
só de Santos como de todo o litoral vicentino.
O dinheiro se torna escasso e se inicia um sistema
de trocas, valendo cada produto um valor arbitrado
para a compra de outras mercadorias. Tudo é
muito caro e a vida é difícil para os
mais pobres. Os navios estrangeiros começam
a rarear no porto. Para completar, uma epidemia de
bexiga mata um terço da População
e a calamidade é tanta que o Caminho do Mar
é fechado e interrompida a ligação
com São Paulo. Em 1683, a capital da Capitania
é transferida de São Vicente para São
Paulo, um golpe para a Vila de Santos, que vinha desempenhando
este papel na prática. Quando tem início
o Comércio de escravos negros, o crescimento
da importação é tanto que, em
duas ou três décadas, a População
branca se reduz a menos da metade. Além disso,
o tráfego de navios negreiros acabam trazendo
da África novas moléstias para a Vila
já infestada por algumas endemias. Aos problemas
financeiros e à pobreza se juntam o desânimo
geral, a deterioração dos valores morais,
o aumento das doenças venéreas e o abastardamento
da População, que abandona as lavouras
e se entrega ao ócio. No final do século,
Santos para de produzir gêneros alimentícios,
que passam a vir de São Paulo, e resta apenas
a cana como atividade agrícola. O primeiro
censo santista, de 1765, acusava uma População
de apenas 2.081 pessoas, das quais menos da metade
é branca, sendo os demais mestiços ou
negros.
Nos primeiros tempos, a comunicação
com o Planalto se fazia por canoas, apesar de já
existir caminho por terra antes mesmo da Fundação
das Vilas. O primeiro caminho conhecido era a "trilha
dos goianazes", mais ou menos onde hoje está
a Estrada Velha, utilizado por João Ramalho,
que se estabelecera em Santo André. Em 1553
foi aberto outro caminho por João Perez, o
Gago. Esse caminho passou a ser o preferido entre
os dois, por ser menos sujeito a ataques índios.
Houve várias tentativas de diversos governadores
para melhorar o Caminho do Mar, com aterros aqui e
ali e reparos constantes no trecho da serra, mas o
problema era que o trecho da serra era muito ruim,
íngreme e escorregadio. Finalmente, o capitão-general
Bernardo José de Lorena, chamado para executar
reparos na estrada, mudou o traçado na serra
e resolveu o problema fazendo um novo traçado
em curvas. O novo "Caminho Calçado do
Lorena" tinha 180 curvas e 9 km eram calçados
com pedras numa largura de 3 metros. Mas o trecho
ótimo da serra suplantava em muito a parte
final da estrada, em Cubatão, onde o percurso
tinha de ser feito por embarcações.
O capitão-general Antonio Manuel de Melo Castro
e Mendonça cria as primeiras linhas postais
entre Santos e São Paulo e São Paulo
e Rio de Janeiro. É a terceira e definitiva
tentativa de estabelecimento dos Correios. Dois anos
depois São estabelecidas linhas entre São
Paulo e Itu, Paranaguá e São Sebastião,
facilitando a comunicação de Santos
com esses pontos da Capitania.
Em 1808 a Corte Real Portuguesa se transfere para
o Brasil, provocando o desenvolvimento geral da colônia.
Em Santos, o custo de vida diminui em virtude da retomada
da agricultura nas Áreas antes abandonadas.
Em janeiro de 1810 foi decretada a iluminação
das ruas com 69 lampiões de azeite de peixe.
Também foi o ano em que o Brasil foi declarado
Reino e seus portos abertos aos navios estrangeiros.
Em 1814, um novo censo acusa que a População
havia dobrado para 5.128 pessoas, sendo 2.993 indivíduos
livres e 2.135 escravos.
O Rei D. João retorna a Portugal deixando Pedro
como regente. Mas as Cortes trabalham para fazer retornar
o Brasil à condição de simples
colônia e, numa sucesSão de decretos,
isola o poder de D. Pedro e corta-lhe recursos financeiros.
O Brasil jamais concordaria em caminhar para trás
e a insatisfação diante das medidas
portuguesas era de um ódio contido. No interior
dos quartéis os soldos dos brasileiros eram
pagos com atrasos de 3 a 4 anos e sempre em valor
menor do que o soldo pago aos soldados portugueses.
Foi em meio a esse quadro que estoura uma revolta
no quartel santista, comandada por Francisco das Chagas
e José Joaquim Cotindiba, no que tiveram apoio
de muitos populares entusiasmados. Os revoltosos mataram
os chamados "retrógrados" e saquearam
negociantes portugueses. Uma corveta portuguesa ancorada
no porto impõe resistência ao levante
e as lutas duram alguns dias, terminando com a chegada
do 2° Batalhão de Caçadores e a
rendição dos revoltosos.
No início de setembro de 1822 D. Pedro vem
a Santos. O motivo, de conhecer a família de
José Bonifácio, não convenceu
ninguém. Na verdade, o príncipe veio
examinar as fortificações do porto e
sondar o ambiente - em caso de separação,
ele precisava saber se poderia se defender de um ataque
estrangeiro e com o que e quem poderia contar na terra
santista. Poucos dias depois ele proclama a separação.
Em 17 de fevereiro de 1827 é inaugurada a Estrada
de Rodagem de Santos para São Paulo. Um grande
aterro na região de Cubatão liga definitivamente
Santos e a Ilha de São Vicente ao continente.
A estrada deu nova expresSão econômica
ao Porto, ao Município de Santos e a toda a
Província de São Paulo.
Em 26 de Janeiro de 1839 a Vila de Santos é
elevada à categoria de Cidade, através
de decreto assinado pelo Presidente da Província
de São Paulo, Venâncio José Lisboa.
Mas o fato só foi festejado um mês depois,
quando chegou às mãos do presidente
da Câmara, José Vieira de Carvalho, a
comunicação oficial do governo provincial.
Em 1° de março de 1841 é promulgada
a Lei 17, estabelecendo os limites entre os Municípios
de Santos, São Vicente e São Bernardo.
A sociedade santista se mobilizou e a cidade fez festa
para receber o Imperador D. Pedro II e D. Tereza Christina.
Em 1847 o governo cria em Santos a Capitania dos Portos
de São Paulo. No ano seguinte surge o primeiro
jornal impresso, a "Revista Commercial"
que, em 1872 levaria o nome de "Diário
de Santos".
A idéia de uma estrada de ferro ligando Santos
e São Paulo foi inicialmente de Frederico Fomm,
prussiano casado com uma santista, que obteve concesSão
para a construção e exploração
em 1838. Mas ele faleceu antes de conseguir reunir
o capital necessário e foi dada nova concesSão
ao Visconde de Monte Alegre, que se une ao Visconde
de Mauá e ao Marquês de São Vicente.
Mas o Visconde de Mauá, cuja firma estava com
um passivo de 8.000 contos, vendeu o privilégio
a uma companhia inglesa por 40.000 libras esterlinas.
Assim surgiu a São Paulo Railway Co. Em 1860
foram iniciados os trabalhos e Santos assistiu a demolição
de toda a ala esquerda do Convento de Santo Antonio,
vendido aos ingleses para a construção
da estação, o que causou grande indignação.
O santista Francisco Martins dos Santos, em representação
ao Imperador, obteve ordem de preservação
do restante do Convento e da Igreja de Santo Antonio
do Valongo e impediu a tempo a sua demolição.
A primeira ferrovia ligando Santos à Província
de São Paulo estava pronta. O acidentado terreno
da Serra do Mar era vencido por quatro planos inclinados
de aproximadamente 2 km de extenSão, dotados
de um sistema funicular. Sua tração
era feita por enormes máquinas a vapor, onde
o peso de um trem compensava o peso de outro. Ao final
da composição era engatada uma "serrabreque",
também chamada "locobreque", com
a única função de frear o trem
em caso de emergência. A ferrovia era um marco
em tecnologia para a época. Em 16 de fevereiro
de 1867 os santistas assistiram a chegada da primeira
locomotiva a vapor. Todo movimento comercial e industrial
de São Paulo passou a utilizar essa ferrovia,
que foi fator determinante para o desenvolvimento
de Santos.
O espírito abolicionista de Santos começa
a ganhar forma nos idos de 1870 para se tornar uma
campanha ruidosa por volta de 1882, quando republicanos,
liberais, abolicionistas e enfim, a sociedade santista
inteira se entrega ao trabalho de libertar o escravo
aqui e em todos os pontos da Província. Os
santistas criam quilombos para receber negros fugidos,
sendo o de Jabaquara o mais importante, e algumas
famílias santistas também abrigam refugiados.
Santos dá um exemplo de civismo e abnegação,
coroado pela assinatura da Lei Áurea em 1888.
Em 1872 começam a circular os primeiros bondes
puxados a burro. Também nesse ano se faz a
canalização das águas do Rio
Cubatão, o que diminui a taxa de mortalidade
da cidade. Em 1881 é inaugurado o Theatro Guarany,
de alto luxo, construído por Garcia Redondo.
Em 1885 é inaugurada a linha de telefones entre
Santos e São Vicente.
Em 1888 Santos já possuía 20.000 habitantes,
água limpa encanada e iluminação
à gás. Mas, apesar do crescimento e
dos avanços que se faziam, não havia
rede de esgotos, o número de cocheiras havia
duplicado, a coleta de lixo era quase inexistente
e a cidade era um viveiro de moscas e mosquitos. No
ano seguinte se verifica uma grande epidemia de febre
amarela.
No início de 1889, o antigo arsenal e estaleiro
da marinha, datado do século XVII e situado
em frente ao Carmo, é derrubado para o início
das obras de construção do cais. Acredita-se
que o revolvimento do lodo putrefato acumulado na
antiga "praia do Consulado" e também
no "porto do Bispo", locais onde se atiravam
os resíduos da cidade, tenha sido o estopim
da epidemia de peste negra (febre amarela) que assolou
Santos, uma das maiores e mais violentas das que atacaram
a cidade. Foi uma tragédia coletiva: o Mosteiro
de S. Bento virou hospital, bem como o Theatro Rink,
a Beneficência abriu as portas, a Cruz Vermelha
atendia à domicílio, os corpos eram
transportados por carrinhos ao cemitério, que
permanecia aberto à noite e as redações
dos jornais viraram postos de informação.
Os mais abastados haviam deixado a cidade e a População
que ficou foi sendo vitimada. A crise só terminou
em maio, com um saldo de 700 mortos.
No ano de 1889 é inaugurada a linha de bondes
do José Menino, de Mathias Costa, e o ano histórico
termina com a proclamação da República,
em 15 de novembro, para a qual Santos contribuiu de
forma intensa.
Em 1892 estava pronto o primeiro trecho do porto organizado,
com um cais de 260 metros de extenSão, novos
armazéns e uma linha férrea. A obra
pioneira e que suplantou tremendas dificuldades técnicas,
é inaugurada em 2 de fevereiro de 1892, com
a atracação do vapor "Namisth",
de bandeira inglesa.
A 6 de setembro de 1893 estourava no Rio de Janeiro
a chamada Revolta da Armada, comandada pelo Almirante
Custódio de Melo. Os revoltosos queriam instaurar
um regime parlamentarista e, para tanto, pretendiam
instalar base de operações em Santos.
Era Presidente o Marechal Floriano Peixoto e o Presidente
da Província era Bernardino de Campos, que
desagradavam a ala mais ortodoxa dos republicanos
santistas, liderados por Martim Francisco e Vicente
de Carvalho. A Câmara tinha seu primeiro quadro
de Vereadores eleitos pelo povo e a cidade se transformara
em verdadeira praça de guerra. A recusa do
Clube Republicano em dar seu apoio a Floriano e Bernardino
na defesa de Santos gerou uma crise política
e uma onda de renúncias entre os Vereadores,
renúncias que se repetiram em 1894. O Clube
Republicano só cedeu e se decidiu pela defesa
da República depois que a cidade foi bombardeada
e repercutia a atitude heróica que tivera Bernardino
de Campos no evento.
Em 1894 é promulgada a Constituição
Municipal de Santos, a primeira do Brasil, mas ela
é cassada pelos próprios vereadores
santistas antes de completar um ano de existência.
Santos volta ao sistema de intendência até
o ano de 1907, quando elege seu primeiro prefeito
por eleição direta.
Com o desenvolvimento econômico e a expanSão
da cultura cafeeira pelo interior de São Paulo,
Santos torna-se o maior porto exportador de café
do mundo, destacando-se como um dos mais importantes
centros comerciais da América do Sul e atraindo
grande contigente de imigrantes europeus que aqui
se estabeleciam para exercer atividades ligadas ao
porto e ao Comércio. No final de 1913 os estrangeiros
já somavam 42%, quase a metade da População
de Santos.
A partir de 1889 é desenvolvida uma grande
campanha para sanear a cidade, começando com
a construção do primeiro trecho de cais.
Era Secretário do Interior o santista Vicente
de Carvalho, que toma uma série de medidas
saneadoras. Ainda nesse ano se faz a canalização
a coberto dos 5 ribeirões santistas, se institui
a vacina obrigatória, amplia-se o serviço
de limpeza pública e obriga-se a observância
do Código de Posturas elaborado em 1896. Mas
a parte mais marcante da campanha de saneamento de
Santos foi, sem dúvida, a abertura dos canais
de drenagem, sendo o primeiro inaugurado em 1907.
Depois dos canais foram executados serviços
de esgoto, com uma rede urbana que desaguava na Ponta
de Itaipu. Para sustentar os canos do emissário
foi construída a Ponte Pênsil, em São
Vicente, cujo serviço de esgoto foi ligado
mais tarde ao sistema de Santos. O sistema sanitário
projetado por Saturnino de Brito criou as condições
necessárias e definitivas para o crescimento
do Município. Em 1914, um novo censo apontava
a População de 88.967 pessoas, contra
as 52.000 contadas em 1901.
Em 10 de março de 1928 uma tragédia
abala a População santista: um grande
bloco de terra se desprende do Monte Serrat e cai
sobre os fundos da Santa Casa, o pavilhão de
Isolamento e um quarteirão de casas construídas
junto ao seu sopé. O desastre, que causou inúmeras
mortes e grande prejuízo material, teve repercusSão
nacional e provocou na cidade um grande movimento
de solidariedade, com o socorro às vítimas
e a coleta de donativos em prol da Santa Casa, que
pode erguer um novo hospital. O desabamento foi o
segundo que ocorreu no mesmo lugar, tendo havido um
menor em 1901.
Sob a administração do Prefeito Aristides
Bastos Machado, um dos prefeitos mais urbanistas até
então, é entregue à População
o primeiro trecho da orla urbanizada, os jardins da
praia, entre o Hotel Internacional e o Canal 2 e no
trecho Gonzaga-Boqueirão. No ano seguinte São
inaugurados o Hotel Parque Balneário e o Atlântico
Hotel, no Bairro do Gonzaga.
Por decreto do então presidente Eurico Gaspar
Dutra, em 1946 o jogo passa a ser proibido no Brasil,
o que causa o fechamento dos vários cassinos
da cidade, inclusive do grande Cassino Monte Serrat.
Através de um golpe militar, o exército
assume o poder, fecha o Congresso e passa a nomear
os prefeitos de cidades consideradas de "interesse
militar" e pontos estratégicos do país.
Como porto Santos não escapa à intervenção,
sua autonomia política é retirada e
o prefeito recém-eleito Esmeraldo Tarquínio
é cassado. A cidade passa a ser governada por
prefeitos "biônicos", nomeados pelo
governo federal, sendo o primeiro deles o General
Clóvis Bandeira Brasil.
A autonomia de Cubatão é decretada para
a construção de um parque industrial
que atrai milhares de migrantes provenientes do nordeste
brasileiro. Este fator vem a causar alguns problemas
sociais e agravar outros tantos.
Com o crescimento demográfico e turístico
a partir da década de 60 e a febre imobiliária
que acaba com as grandes mansões da praia e
constrói centenas de edifícios ao longo
da orla da praia, Santos deixa de ser a cidade agradável
que era até os anos 50. Em 1970 encontramos
uma cidade bem diferente: pouquíssimas Áreas
verdes, favelas se instalando nos morros, palafitas
sendo erguidas nos mangues e ar poluído pela
proximidade com o parque industrial de Cubatão.
Mas o maior agravante é a perda da balneabilidade
das praias, tanto em Santos quanto em São Vicente.
A poluição das águas se deve
a vários fatores: a superlotação
das cidades irmãs nas temporadas supera a vazão
do sistema de esgotos e parte dele é despejado
em plena baía vicentina; o desaguamento da
Represa Billings, onde é despejado metade do
esgoto da Grande São Paulo; e finalmente, os
resíduos industriais e o esgoto lançado
de forma clandestina nos canais. As praias de Santos
e São Vicente, sem a sua balneabilidade, afugentam
os turistas para outros locais, como o Guarujá
e as cidades do litoral sul. Santos passa a receber
na maioria turistas de baixa renda, que depredam e
sujam ainda mais as praias.
Em 2 de agosto de 1983 é restabelecida a autonomia
política da cidade e Santos pode eleger seu
primeiro prefeito depois de 16 anos de intervenção
federal.
O ano de 1989 marca o início de um amplo plano
para a recuperação turística
da cidade. Graças à Sabesp, com investimentos
em infra-estrutura, e às comportas dos canais
de Saturnino de Brito, que voltam a ser utilizadas
como se deve, a balneabilidade das praias é
recuperada em 1991. O último palacete remanescente
da época dos "barões do café",
na praia, é restaurado e reabre como Pinacoteca
Benedicto Calixto, o Museu de Pesca é totalmente
revitalizado, o Aquário Municipal sofre uma
reforma, assim como a Praça Independência
e o canteiro central da Av. Ana Costa. Em 2000, os
jardins da praia entram para o Guiness World Records
como o jardim frontal de praia de maior extenSão
do mundo, marca que detém até hoje.
Com o centenário de inauguração
do Hotel Internacional, a cidade comemora sua 100ª
temporada de verão, quando é divulgado
um balanço da Embratur apontando Santos como
a cidade mais visitada por estrangeiros no litoral
paulista.
A partir de 1999, projetos como o Plano de Revitalização
do Valongo e Alegra Centro provocam o início
da recuperação do Centro, no impulso
da restauração total da antiga Bolsa
de Café. A Prefeitura passa a oferecer incentivos
fiscais e benefícios à iniciativa privada
em troca do restauro de prédios depredados,
o que melhora consideravelmente o aspecto geral do
Centro. Em 2002 tem início a restauração
do Theatro Coliseu e é inaugurada a linha turística
do bonde. Logo depois, é implantada a iluminação
por lampiões nas ruas XV de Novembro e do Comércio.
Em 2004 é finalizada a reforma da Estação
Ferroviária, bem como seu entorno reurbanizado,
no Valongo. Todas essas medidas, e mais a promoção
continuada de programação cultural e
artística, transformaram o Centro em foco de
atração turística e para lá
atraíram clubs noturno, restaurantes e empresas,
dentro do conceito de reciclagem arquitetônica.