Muito antes da colonização
do território de Canoinhas, incursões
bandeirantes vasculharam a região conhecida como
do "Sertão de Curitiba". A partir de
1768 expedições desceram os rios Iguaçu
e Negro, palmilhando também os afluentes Canoinhas,
Paciência e Timbó. A construção
da Estrada da Mata, elo entre o Rio Grande do Sul e
São Paulo para transporte de gado, foi de extrema
importância para a ocupação do território
de Canoinhas.
Nele os colonizadores encontraram os índios
que o habitavam. Eram os Xokleng coletores e caçadores
seminômades que tinham na floresta de araucária
seu melhor habitat. Arredios e tendo seu espaço
invadido pelos brancos, os Xokleng foram implacavelmente
perseguidos pelos colonizadores que neles tinham apenas
um inimigo e um empecilho na conquista territorial.
Quando os primeiros homens brancos vagaram pelo sertão,
encontraram o rio Canoinhas com o nome indígena
de Itapeba, o que quer dizer pedra rasa ou cachoeira
baixa. Mais tarde outros exploradores localizaram
o mesmo rio com o topônimo hispano-indígena
de Canoges Mirim, que literalmente significa canoas
pequeno.
Essa referência é uma contrapartida
ao rio Canoges, situado bem mais abaixo, nos campos
de Lages e modernamente conhecido como Canoas. Do
Canoges Mirim é que provém o nome Canoinhas,
denominação que prevaleceu e que depois
originou o povoado de mesmo nome. Pelo menos três
décadas antes da constituição
do núcleo urbano, o que se deu por volta de
1888, o rio e as terras de seu vale já eram
conhecidos por Canoinhas.
Essa é a versão mais provável
a respeito da origem da toponímia Canoinhas,
uma vez que bem antes da colonização
branca invadir o território Xokleng, o rio
já era conhecido por esse nome. Há outra
narrativa popular alusiva ao toponímico Canoinhas,
mas ela não encontra embasamento científico
para ser verdadeira. Conforme essa versão,
Canoinhas tem esse nome porque os precursores da colonização
local chegaram por via fluvial usando pequenas embarcações,
as canoinhas. Naquele tempo, porém, o meio
predominante de transporte era o de tropas. Em geral
as canoas eram usadas para viagens de pequeno percurso.
Esparsos tropeiros gaúchos e paulistas, além
de razoável número de ervateiros paranaenses
habitavam o interior de Canoinhas quando em 1888,
egresso de São Bento do Sul (SC), o agricultor
Francisco de Paula Pereira instalou-se a beira do
Canoinhas, perto da foz do rio Água Verde.
Ele é considerado o fundador do povoado de
Canoinhas, que logo em seguida passou a ser conhecido
como Santa Cruz de Canoinhas. Entre os primeiros colonizadores
também estão José Thomaz de Mattos,
a família Marcondes, Dionísia de Jesus
Cordeiro, Elias Rodrigues Vaz, Eustachio Affonso Moreira,
João Wordell Filho, Antônio Pereira de
Camargo,Joaquim Branco de Camargo e muitos outros.
Foi na condição de Santa Cruz de Canoinhas
que em 1902 o lugar foi elevado a distrito judiciário
de Curitibanos, embora se encontrasse em área
contestada pelo Paraná e Santa Catarina, que
disputavam a posse do território. A erva-mate
e depois a madeira eram sustentáculos da incipiente
economia local. Os interesses pelo domínio
do território levaram o governo catarinense
à criação do município
de Santa Cruz de Canoinhas, o que ocorreu em 12 de
setembro de 1911, através da lei 907.
Entre 1912 e 1916, gerada por fatores sociais, políticos,
econômicos e messiânicos, eclodiu na região
a Guerra do Contestado. O município de Canoinhas
foi envolvido no conflito, principalmente em 1914
e 1915, quando várias vezes a vila e povoados
do interior foram atacados pelos revoltosos.
Depois desse período bélico Canoinhas
alcançou uma fase de grande desenvolvimento,
quanto o município teve sua economia reativada
pelo extrativismo vegetal da erva-mate e da madeira.
Esse ciclo durou até meados de 1930, quando
a economia ervateira entrou em franca decadência.
Antes, ainda em 1923, em pleno período áureo
de sua economia, o nome de Santa Cruz de Canoinhas
foi alterado para Ouro Verde, numa alusão à
principal riqueza do município. Porém,
divergências políticas e religiosas locais
determinaram que em 1930 esse nome fosse substituído
e o município passou à denominação
de Canoinhas, como era conhecido anteriormente.
Por relações históricas Canoinhas
sempre teve íntima ligação com
o Paraná e dele origina a maioria da colonização
do município, desde as primeiras incursões
ao território desconhecido. Nessa época
é que afluíram caboclos paulistas, descendentes
de portugueses e espanhóis. Foi apenas ao final
do século XIX e no início do século
XX que vieram imigrantes europeus, sobretudo poloneses,
ucranianos e alemães, geralmente migrados do
Paraná. Os primeiros anos do século
XX também marcaram a chegada de sírio-libaneses
e alguns italianos. Essas correntes migratórias
é que colonizaram Canoinhas, dando-lhe feições
de multiplicidade étnica.
Gentílico: Canoinhense.
Fonte: Prof. Fernando Tokarski