A história
de Corupá remonta ao ano de 1541 quando a expedição
de Don Alvar Nuñes Cabeza de Vaca percorreu o
célebre Peabiru: caminho indígena pré-cabraliano
que ligava os Andes ao Oceano Atlântico. O Peabiru
iniciava na desembocadura do Rio Itapocu, em Barra Velha,
subindo por ele até a confluência dos rios
Novo e Humboldt e dali pela atual Avenida Getúlio
Vargas subia a Serra do Mar, pelo traçado da
atual estrada de ferro até as nascentes do Rio
Banhados e seguindo o Rio Negrinho, o Rio Negro, o Rio
Iguaçu e o Rio Paraná até o Paraguai,
além disso, também interligava trilhas
indígenas menores. Este caminho foi muito usado
até 1850, quando ele foi retalhado pela construção
de rodovias e a ferrovia, mas ainda é possível
percorrer o traçado geral.
Em 1849 foi criada a Sociedade Colonizadora Hamburguesa,
mais tarde substituída pela Companhia Hanseática
de Colonização que englobou os bens
da anterior, com o objetivo de povoar as terras dos
príncipes Dona Francisca, François de
Orleans e do Conde d’Eu, esposo da princesa
Dona Isabel. Em 1895 a Cia Hanseática, por
seu diretor Karl Fabri, adquiriu por compra, mais
de 635.000 hectares de terra, dos quais, 35.000 ficavam
no alto vale do Rio Itapocu e deram origem a Corupá,
e por contrato, as terras deveriam ser colonizadas
num prazo de vinte anos por imigrantes europeus.
O primeiro nome de Corupá foi Hansa Humboldt,
em homenagem ao naturalista alemão Alexandre
von Humboldt. A data de fundação refere-se
ao dia em que Otto Hillbrecht e seu filho e Wilhelm
Ehrhardt compraram os primeiros lotes coloniais, respectivamente
os de número 6, 7 e 1. Estes pioneiros, vindos
da Alemanha, desembarcaram em São Francisco
do Sul em 30/06/1897 e em 07/07/1897 chegaram a Hansa
Humboldt vindos de barco pelo Rio Itapocu, sendo este
o único caminho de acesso até 1900.
Desembarcaram na confluência dos rios Humboldt
e Novo, seguiram por um picadão, hoje a Avenida
Getúlio Vargas, até o galpão
dos imigrantes onde foram recebidos pelo agrimensor
Eduard Krisch. O galpão não passava
de um rancho feito de troncos tendo cobertura de folhas
de palmito.
Os três primeiros focos irradiadores da civilização
catarinense foram São Francisco do Sul (1658),
Desterro, atual Florianópolis (1666) e Laguna
(1676). Corupá estava integrada à administração
de São Francisco do Sul à qual se ligavam
Joinville, Jaraguá do Sul e todas circunvizinhanças.
Com a criação do distrito de Joinville,
Corupá foi anexada a administração
de Joinville via Jaraguá do Sul; mais tarde
criou-se o distrito de Jaraguá do Sul e, finalmente,
em 11/05/1908 foi criado o distrito de Hansa Humboldt,
sendo o primeiro intendente o Sr. Ernesto Rückert.
Em virtude do Decreto Lei Estadual do Governador Nereu
Ramos de no. 941 de 31/12/1943, a partir de 01/01/1944
Hansa Humboldt passou a chamar-se Corupá. Por
Decreto Lei Estadual no 348 de 21/06/1958 foi criado
o Município de Corupá e sua instalação
ocorreu no dia 25/07/1958.
Antes mesmo da fundação oficial de Hansa
Humboldt já eram conhecidos os acidentes geográficos
de Corupá, tais como as serras e principalmente
as fortes e altas quedas de água que do planalto
despencam à planície. Em 1879 foi organizada
uma expedição, liderada por Albert Kröhne,
com a incumbência de encontrar um futuro caminho
entre Hansa Humboldt e São Bento do Sul e que
desse também ligação a Curitiba.
Nesta expedição foram denominados o
Rio Ano Bom, o Rio Humboldt e a Estrada Bomplandt.
Bomplandt era companheiro de viagens de Alexandre
von Humboldt. Já pelo lado contrário,
havia o caminho aberto por Emílio Carlos Jourdain,
seguindo o Vale do Rio Novo. Nesta época também
foram denominados o afluente do Rio Novo, o Rio Isabel,
em homenagem à Princesa, e o afluente deste,
o Rio Paulo. Todas estas denominações
são utilizadas até hoje.
A partir de dezembro de 1897 o número de imigrantes
foi aumentando. Em novembro de 1899 foi fundada a
comunidade evangélica. Também em 1899
foi fundado o primeiro hotel, pelo casal Wilhelm e
Maria Pieper, e chamava-se Hotel Pieper. Em 1902,
26 lotes tinham casas edificadas e outros 16 haviam
sido vendidos. Em 1906 iniciou o Orquidário
Catarinense, com Roberto Seidel que até hoje,
comercializa e exporta orquídeas e bromélias.
Em 1909 foi construída a capela católica.
Em 1910, chegou o primeiro trem vindo de São
Francisco do Sul e em 2 anos, os trilhos avançaram
até São Bento do Sul. Cada chegada e
partida era uma festa, um encontro social, cultural
e econômico. A estação ficava
apinhada. Em 1915 foi construído o primeiro
salão de Hansa, o Salão Estrela. Em
janeiro de 1920 foi inaugurada a Firma Luz e Força
Hansa que forneceu energia elétrica até
1958, quando o dique da represa se rompeu e destruiu
a usina. Em 1923 chegou a Hansa Carlos Rutzen: comprou
uma propriedade que continha casa de gêneros
alimentícios, fazendas, ferragens, açougue,
salão com palco para festividades como casamentos,
teatros, ginástica, reuniões sociais,
eleições, festas, bailes e domingueiras.
A ação social e econômica de Carlos
Rutzen foi tão grande que a Vila Isabel passou
a ser chamada, popularmente, de Vila Rutzen. Em 1927
o Dr. Adolfo Konder visitou Hansa Humboldt e a definiu
como “Califórnia do Brasil” devido
à paisagem e à abundância de laranjas
que aqui se encontravam. Em 1928 foi fundado o Jornal
de Hansa, pelo Sr. José Maffezzolli, prático
em tipografia vindo de Brusque. Em setembro de 1929
foi lançada a pedra fundamental do Seminário
Sagrado Coração de Jesus. Ainda em 1929
fundou-se a Banda Jazz Elite, que substituiu a extinta
Banda Linzmeyer. Em 1930 Hansa Humboldt recebeu os
serviços de telefonia.
De 1914 a 1918 desenrolou-se a Primeira Guerra Mundial.
Até aquela data, só existiam em Hansa
Humboldt escolas particulares alemãs. Estas
e outras sociedades foram fechadas neste período,
pelo inspetor Oreste Guimarães. Terminada a
guerra, estas escolas e sociedades foram reabertas
e veio então, a primeira escola estadual ou
brasileira, como se dizia. Em grande parte isso foi
motivado pelo espírito de nacionalismo que
varreu o Brasil por causa da guerra e a estrada de
ferro, que funcionava plenamente e trouxe muitos brasileiros,
quer dizer, não de origem alemã.
KORMANN, José. Hansa Humboldt ontem, hoje
Corupá (baseado no arquivo de Gerhardt Hermann).
1992.