A História
da cidade de Aparecida se confunde e se mistura com
a História da Santa Padroeira do Brasil, Nossa
Senhora da Conceição Aparecida. Teve seu
início em meados de 1717, quando chegou a notícia
de que o Conde de Assumar, Dom Pedro de Almeida e Portugal,
Governador da Província de São Paulo e
Minas Gerais, iria passar pela pequena Vila de Guaratinguetá,
a caminho de Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto.
Entre outras providências, era necessário
que pescadores da região trouxessem do Rio Paraíba
quantos peixes lhes caíssem na rede, a fim de
promoverem o banquete que deveria servir ao ilustre
visitante e à sua comitiva, composta por auxiliares
e muitos escravos. Grande quantidade de pescado deveria
ser salgada para quando estivessem viajando pelo descampado
das Minas Gerais até Vila Rica. Pretendia-se
mostrar a Dom Pedro os recursos do pequeno vilarejo.
Mesmo não sendo boa época para a pesca,
pescadores foram convocados; entre eles Domingos Garcia,
João Alves e Filipe Pedroso. Colocaram suas canoas
no Rio Paraíba, jogaram a rede várias
sem sucesso; pararam desanimados e abatidos pelo cansaço
no Porto Itaguaçú.
Numa última tentativa, João Alves jogou
mais uma vez sua rede, e sentiu algo pesado ao puxar
as primeiras malhas. Surpreendeu-se ao puxá-la
e encontrar uma imagem sem cabeça, com anjos
esculpidos ao redor dos pés. Espantado, lançou
novamente a rede e o que veio à tona foi a
cabeça da imagem, que se ajustava perfeitamente
ao corpo anteriormente encontrado. Após encontrar,
e reunir, o corpo e a cabeça da imagem de Nossa
Senhora da Conceição, os peixes surgiram
em abundância, para os três dedicados
pescadores.
Durante quinze anos, a imagem foi protegida por Filipe
Pedroso e sua família, em sua casa, onde se
reuniam vizinhos e parentes para rezar e adorar a
Santa, que se tornava conhecida pelos milagres que
realizava. Atanásio Pedroso, filho de Filipe,
construiu um oratório para a Santa, que logo
se tornou pequeno, devido ao grande número
devotos que por ali passavam. Por volta de 1734, o
Vigário de Guaratinguetá, com autorização
do Bispo do Rio de Janeiro, construiu a Capela do
Morro dos Coqueiros, aberta à visitação
pública, inaugurada em 26 de junho de 1745.
Porém, o número de devotos aumentava,
e exigia uma igreja maior, cuja construção
iniciou-se em 1834 e foi concluída em 1888,
sendo elevada a Basílica Menor, em 29 de abril
de 1908. O Distrito de Aparecida foi criado pela Lei
Provincial nº 19, em março de 1842, recebendo
foros de Vila. Vinte anos depois, em 17 de dezembro
de 1928, a Vila que se formou ao redor da Capela do
Morro dos Coqueiros tornou-se município, emancipando-se
de Guaratinguetá, pela Lei nº 2.312, elevando
sua sede a categoria. Em 1929, Nossa Senhora foi proclamada
Rainha e do Brasil e sua Padroeira Oficial, por determinação
do Papa Pio XI. O crescente aumento do número
de romeiros e de devotos a Nossa Senhora da Conceição
Aparecida fez com que surgisse a necessidade de construir-se
um templo bem maior.
Por iniciativa dos Missionários Redentoristas
e dos Senhores Bispos, teve início em 11 de
novembro de 1955, a construção do Santuário
Nacional de Nossa Senhora da Conceição
Aparecida, o maior Santuário Mariano do mundo.
A planta, elaborada pelo arquiteto Benedito Calixto
de Jesus, reúne um conjunto arquitetônico
em forma de cruz de Santo André. Em 1980, ainda
em construção, foi consagrada pelo Papa
João Paulo II, recebendo o título de
Basílica Menor. Foi declarada oficialmente,
em 1984, pela Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil - CNBB - Basílica de Aparecida Santuário
Nacional.