Após a Fundação
de São Paulo, em 1554, a cobiça do ouro
e a aventura lançaram audaciosos homens pelos
sertões paulistas. No Vale do Paraíba,
quase todas as cidades existentes sugiram como necessidade
de apoio às expedições. Com Lorena,
também foi assim. Ela nasceu em função
da travessia do Rio Paraíba, feita pelos Bandeirantes
e Viajantes que demandavam às Minas Gerais à
procura de ouro - era o famoso "Porto de Guaypacaré".
Umas das primeiras notícias hitóricas
de Lorena de 1702, quando o capitão-mor Arthur
de Sá e Menezes concedeu "ProviSão
de Mercê da passagem do rio para o posto conveniente
para os passageiros de Minas." O núcleo
inicial da povoação surgiu no fim do
século XVII com as "roças"
de Bento Rodrigues Caldeira, junto ao porto de Guaypacaré,
citados em documentos contemporâneos. As "roças"
de Bento Rodrigues Caldeira evoluíram para
o povoado de N.S. da Piedade com seu patrimônio
religioso formado com as doações feitas
por Bento Rodrigues Caldeira, João de Almeida
e Pedro da Costa Colaço em 1705, para a construção
dedicada à Nossa Senhora da Piedade. Remotamente,
Lorena tinha este nome, era um pequeno povoado incrustado
nos "sertões de Guaratinguetá".
Depois, denominou-se "Vila da Terra de Bento
Rodrigues Caldeira", logo em seguida, era Freguesia
de N.S. da Piedade", mas, para os índios,
ela sempre foi Guaypacaré.
Segundo Teodoro Sampaio, Guaypacaré é
um nome tupi que significa braço ou seio da
Lagoa Torta, em virtude de um braço do Rio
Paraíba, ali existente na época. Mais
tarde, o nome original deu por corruptela - Hepacaré
que significa, para Azevedo Marques, lugar das goiabeiras.
Em 1718, sob a invocação de N. Sra.
da Piedade já se constituía em freguesia.
Em 14 de novembro de 1788, foi elevada à Vila
com o nome de Lorena, por decreto do Cap. General,
então Governador de São Paulo, Bernardo
José Lorena, mais tarde Conde de Sarzedas,
razão por que foi dada à nova Vila o
nome de Lorena.
Nessa data foi levantado o pelourinho e eleita a
primeira Câmara de Vereadores. Pela lei Provincial
de 24 de abril de 1856, foi elevada à categoria
de cidade e em 20 de abril de 1866 foi criada a Comarca
de Lorena, sendo o primeiro Juiz de Direito o Conselheiro
Dr. Joaquim Pedro Vilaça.
O Município desenvolveu-se extraordinariamente
no século passado, com a cultura do café,
tendo se destacado também como produtor de
açúcar, cujo Engenho Central foi inaugurado
à 04 de outubro de 1884. Teve participação
ativa na Revolução Liberal de 1842,
graças ao apoio do Lorenense Pe. Manoel Teotônio
de Castro, ao lado de Bananal e Pindamonhangaba. Foi
brilhante a sua contribuição à
nobreza do Império, tendo o Imperador agraciado
várias personalidades da cidade, como o Conde
de Moreira Lima, o Barão da Bocaína
, Viscondessa de Castro Lima , o Barão de Santa
Eulália, etc. Há quem diga que Lorena
foi a miniatura de uma corte, tal o luxo, o fausto
e as lutas do século XIX.
Lorena é o encontro do passado com o futuro.
Ontem, o Rio Paraíba passava bem perto da Praça
da Igreja. Era o porto de Lorena, local de intenso
Comércio.Sobre o rio havia uma ponte de madeira
construída por escravos. Os velhos moradores
da cidade São os únicos que ainda se
lembram do ruidoso vapor dobrando sua chaminé
para passar a ponte, trazendo passageiros e mercadorias
de Taubaté, Tremembé e Guaba. Hoje,
no seu leito definitivo, o rio passa bem longe da
praça da igreja. Suas águas levaram
o vapor, o porto e o movimento alegre do povo. Selaram
o fim de uma era.