Supõe-se
que o aldeamento dos índios Guaianazes - fundado
pelo Padre José de Anchieta no local onde hoje
se situa São José dos Campos - tenha sido
iniciado mais ou menos ao mesmo tempo que a Capitania
de São Vicente. Quando a lei de 10 de Setembro
de 1611 que regulamentava aldeamentos indígenas
nos pontos que melhor conviessem aos interesses do Reino,
foi posta em vigor, os índios deslocaram-se para
o interior (para os sertões). Entre os antigos
aldeamentos, distantes de Piratininga e que vieram a
merecer a atenção dos jesuítas,
figurava, para as bandas de leste, o aldeamento de São
José localizado no Bairro do Rio Comprido, a
10 km de onde hoje se situa a cidade. Então,
os padres trazendo mais alguns silvícolas, conseguiram
entrar em entendimentos com os índios e dar certa
vida ao aldeamento mas, devido às desvantagens
da localização deste, resolveram buscar
um ponto melhor.
De 1643 a 1660, os religiosos obtiveram para os índios
diversas léguas de terras, concedidas por João
Luís Mafra, cavalheiro fidalgo de Sua Majestade.
Essas terras situavam-se em magnífica planície,
onde hoje se acha São José dos Campos.
E a aldeia progredia mais e mais, passando a ser denominada
"Vila Nova de São José". Em
1650, foram concedidas algumas sesmarias a Francisco
João Leme, Antonio Siqueira Afonso e sua mulher
Antonia Pedrosa de Morais, Siqueira Afonso permaneceu
nas imediações do aldeamento e João
Leme abriu fazenda no Bairro do Jardim.
Sabe-se ainda que a organização urbana
no plano teórico e prático da aldeia,
é obra atribuída ao padre jesuíta
Manoel de Leão, cuja principal ocupação
era a de ser administrador, estando em São
Paulo desde o ano de 1663, encontrava-se à
frente das fazendas mais remotas. Entre estas, figurava-se
o aldeamento em solo joseense. Após longos
anos de lento progredir, foi descoberta uma taba no
local conhecido por "Lavras". Em contato
com esses outros selvagens, os índios da Vila
Nova de São José trouxeram amostras
de puríssimo ouro, e que naturalmente despertou
a atenção para a Serra da Mantiqueira,
nas proximidades do Rio do Peixe, nas imediações
do Bairro das Lavras, um lugar alagadiço da
atual Fazenda Montes Claros, hoje conhecido como "Tanque
dos Índios".
Em 1769, os jesuítas foram expulsos; com isso,
alguns brancos agregaram-se aos índios sob
a direção de José de Araújo
Coimbra, Capitão-Mor de Jacareí e deram
impulso à povoação. Por ordem
do Governador Geral, D. Luiz Antonio de Souza Botelho
Mourão, a 27 de Julho de 1767, pelo Ouvidor
e Corregedor Salvador Pereira da Silva, foi criada
a vila com o nome de São José do Paraíba
- sem ter sido freguesia. Este fato é absolutamente
anormal para a época e determinou críticas
ao procedimento do Governador.
A partir de 1871, o município passou por duas
fases distintas: o desenvolvimento agrícola
- com forte preponderância da cultura do café
- e a criação da estância climática,
conseqüência natural de seus bons ares.
A emancipação à categoria de
Vila não foi um fator determinante para o seu
progresso, que por muitos anos manteve as mesmas características
de uma pequena vila com predominância do setor
rural. A principal dificuldade de São José
era o fato de a Estrada Real passar fora de seus domínios.
Em meados do século XIX, a Vila de São
José do Paraíba já demonstrava
alguns sinais de crescimento econômico com o
desenvolvimento da agricultura.
O algodão teve uma rápida evolução
na região quando São José conseguiu
algum destaque e cuja produção atinge
seu apogeu em 1864. Nesse mesmo ano, a 22 de abril,
a Vila é elevada à categoria de cidade.
E, em 1871 recebe a atual denominação
de São José dos Campos, seguida pela
criação da Comarca em 1872. Quase simultaneamente,
há o desenvolvimento da cultura cafeeira no
Vale do Paraíba que começa a ter alguma
expresSão a partir de 1870, já contando,
inclusive com a participação de São
José. No entanto, foi no ano de 1886, quando
já contava com o apoio da Estrada de Ferro
inaugurada em 1877, que a produção cafeeira
joseense teve seu auge, mesmo num momento em que já
acontecia a decadência dessa cultura na região,
conseguindo ainda algum destaque até por volta
de 1930.
A procura do município de São José
dos Campos para o tratamento de tuberculose pulmonar,
teria se tornado perceptível no início
deste século, devido às condições
climáticas supostamente favoráveis.
Entretanto, somente em 1935, quando o município
foi transformado em Estância Hidromineral, que
São José passou a receber recursos oficiais
que puderam ser aplicados na Área sanatorial.
Com o advento dos antibióticos nos anos 40,
a tuberculose começa a receber tratamento ambulatorial,
caracterizando assim o fim da função
sanatorial até então exercida por São
José, num momento que já é crescente
a vinda de estabelecimentos industriais para a cidade.
O processo de industrialização do município,
toma impulso a partir da instalação
do Centro Técnico de Aeronáutica-CTA,
em 1950 e também com a inauguração
da Rodovia Presidente Dutra, possibilitando assim
uma ligação mais rápida entre
Rio de Janeiro e São Paulo e cortando a parte
urbana de São José dos Campos. A conjunção
desses fatores permitiu que o município caminhasse
para o potencial científico-tecnológico
em que se encontra.