É sabido, através de documentos antigos
da época, que, em 1650 já havia muitas
fazendas espalhadas pela região conhecida por
Caioçara, nome esse que é conservado
até hoje. Confinam-se os bairros Caioçara
de Jarinu e de Atibaia.
Os bandeirantes, contornando pela esquerda o morro
da Cangica, teriam atingido o altiplano onde foi construído,
há tempos, o prédio da estação
de Campo Largo, da Estrada de Ferro Bragantina. Nas
imediações desse local situava-se a
próspera fazenda de Antônio Pedroso de
Barros e dessa propriedade, calcula-se, teriam partido
todos os movimentos conducentes ao desbravamento de
toda a região.
O aparecimento do burgo de Atibaia (lembre-se, de
passagem, apenas como ponto de referência ou
de apoio para o raciocínio) data de 1665. Pois
em 1653 (doze anos antes, portanto), do inventário
do nomeado Antônio Pedroso de Barros, constam,
com pormenores, as divisas da região denominada
Caioçara, cujas terras pertencem, hoje, parte
ao município de Jarinu e parte ao de Atibaia.
Nas terras situadas antes de Juquerí (hoje
Mairiporã), para quem parte de São Paulo,
já havia nesse tempo, propriedades de bandeirantes
notáveis como Antônio Pedroso de Alvarenga,
Braz Cardoso, Paulo Pereira, Pedro Fernandes, Mateus
Luiz Grou, Francisco Rodrigues Velho e seus irmãos,
e muitos outros sertanistas de prol.
Enquanto Antônio Pedroso de Barros se estabelecia
na região denominada Caioçara, Jerônimo
de Camargo, lá pelo ano de 1663, mais ou menos,
explorava o sertão de Atibaia. Jerônimo
de Camargo, nascido em São Paulo e casado com
Ana de Cerqueira, era o 5º filho do sevilhano
José Ortiz de Camargo (conhecido por Juzepe
de Camargo) e da paulista Leonor Domingues. Ana Cerqueira
era filha primogênita de Francisca Bueno e de
Felipe Vaz; irmã de Bartolomeu Bueno da Silva,
o Anhangüera, e sobrinha de Amador Bueno da Ribeira.
Ao tempo do povoamento de Atibaia e de Campo Largo
(Jarinu), a Capitania de São Paulo era governada
por D. Luís Antônio Botelho de Sousa
Mourão, Morgado de Mateus. Enquanto nasciam
as povoações de Atibaia e de Campo Largo
(Jarinu), iam despontando aqui, lá e acolá,
outros vilarejos como Jundiaí, Mogi-Mirim,
Limeira, Piracicaba, e etc.
Em 1730, o atibaiano Lucas de Siqueira Franco é
investido no cargo almotacé, tomando parte
ativa na política de São Paulo. Este
cidadão exerceu grande influência em
Atibaia e em Campo Largo (Jarinu).
Em 1765, eram lavradores no Bairro do Campo Largo
(Jarinu): Sebastião Barreto, João Franco
Viegas (o moço), Leonor Domingues de Camargo,
Inácio de Oliveira Preto, João Gomes
de Morais, João de Siqueira, José da
Cunha Ribeiro, Inácio de Godói Cardoso,
João Ribeiro de Camargo, Inácio Corrêia
de Morais, Antônio de Lima
Camargo, Veríssimo da Mota Maciel, Gonçalo
de Alvarenga, Pedro de Camargo Pimentel, Cosme Damião
Ribeiro, Antônio dos Santos, Francisco de Godói
Moreira, Pedro de Lima Camargo, José de Gois
Pimentel, João Pires, José de Campos
de Lima, João Ferreira de Camargo e outros.
Em 1786, Lourenço FRANCO DA ROCHA, o fundador
de Campo Largo (Jarinu), é nomeado Capitão
desse bairro. Lourenço Franco da Rocha, casado
com Rita de Cássia de Morais, era filho do
2º capitão-mor de Atibaia, Francisco da
Silveira Franco e de D. Maria Cardoso de Oliveira
(casados em Parnaíba). O pai fundador de Campo
Largo (Jarinu) teria falecido em 1801. Rita de Cássia
de Morais era filha do Capitão Francisco Lourenço
Cintra.
Em 1796, Campo Largo (Jarinu), cujo Capitão
era Lourenço Franco da Rocha, possuía,
em toda a região, 496 almas com 85 fogos, dos
quais 53 no burgo (povoação).
Em 1798, o maior lavrador em Campo Largo (Jarinu)
era o seu Capitão, Lourenço Franco da
Rocha. Nesse ano, teria ele vendido 100 alqueires
de milho, 80 alqueires de feijão, 14 bestas,
4 potros e 5 bois. (Compare-se, de passagem, a renda
do maior lavrador de Campo Largo (Jarinu) com a do
maior lavrador de Atibaia, Frutuoso
Furquim de Campos, na mesma época. Este teria
vendido 100 alqueires de milho, 80 alqueires de feijão,
digo, 30 arrobas de açúcar, 20 canadas
de aguardente - a canada, antiga medida de capacidade
eqüivalia a 2.622 litros - e trinta alqueires
de feijão). Na época, o mais rico lavrador
de Atibaia tinha 100 escravos.
Em 1807, o Capitão Lourenço Franco da
Rocha e sua mulher Rita de Cássia de Morais,
por escritura pública de 7 de Janeiro, desmembram
sua fazenda e doam a gleba de terras onde foi erguida
a Capela de Nossa Senhora do Carmo de Campo Largo
(Jarinu), hoje Matriz da Paróquia sob a invocação
da mesma Padroeira. Para início do patrimônio,
doaram, ainda, uma casa situada em Atibaia.
Em 1811, o Capitão Lourenço Franco da
Rocha passa a fazer parte da Câmara Municipal
de Atibaia, como vereador por Campo Largo (Jarinu).
Em 1814, cuidou-se, em São Paulo, da construção
do prédio para a Santa Casa de Misericórdia,
que deveria acudir os necessitados de toda a Capitania.
Dentre as pessoas que contribuíram para a construção
do Hospital, figura gente de Campo Largo (Jarinu):
o Capitão Lourenço Franco da Rocha e
Inácio Caetano da Silveira.
Para ter-se uma idéia de quanto valia a moeda
naquele tempo, leia-se isto: “O Vigário
de Nazaré, Luiz Manoel de Souza Freire alugava
os seus 24 escravos a cem réis por dia cada
um.
Em 1817, o Município de Atibaia tinha 5 companhias
de ordenanças, das quais a terceira compreendia
Campo Largo (Jarinu). Nesse mesmo ano, Von Spix e
Von Martius, em suas andanças pela Capitania
de São Paulo, passam por Campo Largo. Eis como
eles narram a sua passagem por estas bandas:- “Devemos
à atividade do capitão-mor de Jundiaí,
um novo arrieiro que logo consertou as cangalhas e
nos conduziu já à tarde seguinte duas
léguas adiante, no caminho de Minas. Segue
a estrada por uma região pantanosa e coberta
de espessos arbustos. Mais para o norte se estende
um campo montanhoso (Campo Largo) que nos apresentou
rica florescência de belas plantas alpestres
(aí notamos entre os arbustos Paspalus Chrystachyos
Scharad, que caracteriza os campos, muitas Wedelias,
Gaudichandias, Buttnerias, (Cenemidos) Cnemidostelhys,
Palicureas, Decliencias, Escobedia (Scabrifolia, Eryngium
lingua Tucuni nob, etc.)”.
Em 1818, Inácio Caetano da Silveira, irmão
do fundador de Campo Largo (Jarinu) passa a fazer
parte da mesma Câmara Municipal de Atibaia.
Inácio Caetano da Silveira era casado com uma
sua sobrinha. Delfina da Silveira Campos, que vinha
a ser filha de Lucas de Siqueira Franco e de Ana Gabriela
de Campos. Lucas de Siqueira
Franco, nome grandemente ligado às pessoas
e cousas de Campo Largo (Jarinu) foi o primeiro capitão-mor
de Atibaia, nomeado por D. Luís Antônio
de Sousa Botelho Mourão, Governador e Capitão
General da Capitania de São Paulo. (Mor= forma
sincopada de Maior). Lucas de Siqueira Franco, nascido
em Atibaia, em 1715, era filho de Inácio de
Siqueira Ferrão, natural de Guarulhos donde
viera para Atibaia.
Em 1820 uma filha do Capitão Lourenço
Franco da Rocha casa-se com o professor Inácio
Waldino de Abreu, regente da cadeira de gramática
Latina. Este professor, antes de mudar-se para Limeira,
onde deixou grande e ilustre descendência, foi
também vereador e exerceu as funções
de agente do correio em Atibaia.
Em 21 de Julho de 1821, nas casas da Câmara
e Paços do Conselho pelo povo foi jurada obediência
a S. M. o Senhor D. João VI, Rei Constitucional
do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve. Dentre
as pessoas presentes que firmaram o termo de juramento
e obediência ao novo Governo, estava Francisco
Alves de Siqueira, ascendente remoto do autor destas
linhas. Em 1824 teria ido para Nazaré o padre
Camilo José de Morais Lellis, que também
fora Vigário de Campo Largo (Jarinu).
Em 1828 o padre Frutuoso Furquim às instâncias
do morador de Campo Largo (Jarinu) Inácio Franco
de Camargo pede à Câmara Municipal seja
a povoação de Campo Largo (Jarinu) elevada
à categoria de Capela Curada. Este Inácio
Franco de Camargo foi uma das pessoas de Campo Largo
(Jarinu) que também contribuíram para
a ereção
da Santa Casa de Misericórdia de São
Paulo. Nesse mesmo ano de 1828, volta a fazer parte
da Câmara Municipal de Atibaia Inácio
Caetano da Silveira, irmão do fundador de Campo
Largo (Jarinu). Em 12 de Outubro de 1830, foi a povoação
elevada à categoria de Capela Curada, com o
nome de Capela Curada de Nossa Senhora do Carmo de
Atibaia. Nesse mesmo ano, procedendo-se ao primeiro
alistamento para o corpo de jurados de Atibaia, dele
ficou fazendo parte o Capitão Lourenço
Franco da Rocha, o fundador de Campo Largo (Jarinu).
Em 1833, para o cargo de Juiz de Paz de Campo Largo
(Jarinu), foi nomeado o antigo morador dessa Capela,
Antônio José de Figueiredo, que não
tomou posse por ter conseguido dispensa, a pedido,
alegando ser já velho e aleijado de ambos os
braços, ferido que fora, gravemente, nas guerras
do sul. Nesse ano de 1833 era vigário de Campo
Largo (Jarinu) o padre Estanislau José Soares.
A Guarda Nacional, em Atibaia, era constituída
de 6 companhias, das quais a 5ª era formada de
pessoal de Campo Largo (Jarinu).
Em 1835 o Prefeito de Atibaia comunica à Câmara
Municipal ter o Governo nomeado para subprefeito de
Campo Largo (Jarinu), o Capitão Inácio
Caetano da Silveira, irmão do fundador do Burgo.
Em 1836, o Marechal Daniel Pedro Muller, Engenheiro
Militar do Exército Brasileiro recebeu do Governo
Provincial o encargo de organizar a estatística
da Província de São Paulo. Eis o resultado
do levantamento então feito:- População
do Município: 10.211 habitantes, sendo 3.768
homens e 3.973 mulheres. Escravos: 1.331 homens e
1.129 mulheres. O número de fogos era de l.804.
O Município todo se compunha:- o 1º Distrito
(da vila), com 8 quarteirões; o 2º Distrito,
freguesia de Santo Antônio (Piracaia); o 3º
Distrito, freguesia de Nazaré; e o 4º
Distrito Capela de Campo Largo (Jarinu), etc. A 5
de Fevereiro de 1842 foi a Capela Curada de Campo
Largo (Jarinu) elevada à categoria de Freguesia.
Em 1844 a Freguesia de Campo Largo (Jarinu) passa
para o termo de Jundiaí. Em 1846, volta a pertencer
de novo à Atibaia. Em 1845-1846, Atibaia possuía
661 fogos e 7 eleitores e Campo Largo (Jarinu) 270
fogos e 3 eleitores. O termo todo, isto é,
Atibaia, Santo Antônio (Piracaia), Nazaré
e Campo Largo (Jarinu), possuía 30 eleitores.
Entre 1845 e 1848 foi vigário de Campo Largo
(Jarinu) o padre Francisco de Toledo Dultra; e entre
1853 e 1856, o célebre pregador sacro Frei
Samuel de Lodi, que chegara à Bahia em 1843
onde foi Prefeito da Ordem. Transferido em 1847 para
o Rio de Janeiro, veio para São Paulo em 1848
e foi para Santa Isabel em 1855. Quando esteve em
Campo Largo (Jarinu), este capucho recebia, trimestralmente
10$000; em 1865, a Câmara Municipal de Atibaia,
em sua primeira reunião tratou de reajustar
o ordenado do funcionalismo. E fê-lo da maneira
seguinte: Secretário da Câmara 120$000;
Fiscal da cidade 100$000; Fiscal de Campo Largo (Jarinu)
30$000 e Porteiro 50$000. A tabela de vencimentos
retro consignada era para o ano todo.
Em 1873 toma parte ativa na Convenção
de Itú o campo-larguense Tristão da
Silveira Campos, nascido em Campo Largo (Jarinu),
filho do Capitão Inácio Caetano da Silveira.
Tristão de Silveira Campos, sobrinho do fundador
de Campo Largo (Jarinu) faleceu em Amparo, para onde,
em 1855, tinha transferido a residência (Foi
abastado fazendeiro, político influente e correligionário
de Bernardino Campos) Tristão faleceu em 1900.
Em 23 de Junho de 1873, na reunião republicana
promovida para escolha do representante do município
no Congresso do Partido Republicano, assinaram a respectiva
ata: como presidente José Inácio da
Silveira; e mais as seguintes pessoas de Campo Largo
(Jarinu): Estanislau José Soares de Moura,
Bento Soares de Moura e José Jorge de Moura.
Em 1876, Campo Largo (Jarinu) tinha 1.532 habitantes,
inclusive 158 escravos. De 1883 a 1886, foi presidente
da Câmara Municipal de Atibaia, o fazendeiro
José Inácio da Silveira, radicado em
Campo Largo (Jarinu). Em 1886, o Município
de Atibaia tinha 9.034 habitantes, sendo 6.924 em
Atibaia e 2.110 em Campo Largo (Jarinu). Atibaia tinha,
então, 113 eleitores e Campo Largo (Jarinu)
16 eleitores.
Em 26 de Janeiro de 1890, eleitores de Atibaia num
abaixo-assinado, reconhecem como membro do diretório
do Partido Republicano local, o chefe político
de Campo Largo (Jarinu), Tenente José Inácio
da Silveira. Em Julho de 1895 Rangel Júnior
e Cardoso de Almeida apresentaram à Câmara
Estadual, projeto de lei destinado à elevar
a freguesia de Campo Largo (Jarinu) à categoria
de Município. Esse movimento não teve
êxito e, a respeito dele, assim se manifestou,
na época “O DEMOCRATA FEDERAL”,
órgão da imprensa paulista, em seu número
de 2 de Julho de 1895: “Não faça
o distinto campo-larguense, chefe governista em Atibaia,
questão de governar Atibaia e Campo Largo com
uma só Câmara Municipal; contente-se
em ser influência política benéfica
em dois municípios e terá servido e
honrado sua terra natal”. O jornal não
cita o nome do distinto campo-larguense, presume-se
que se tratava do Coronel José Inácio
da Silveira, conhecido simplesmente por José
Inácio, e cuja memória ficou perpetuada
numa rua em Jarinu e em Atibaia.
Em 20 de Agosto de 1898, nasce em Campo Largo (Jarinu),
o Prof. Francisco da Silveira Bueno, poeta, jornalista,
gramático, filólogo e dicionarista,
nome sobejamente conhecido no Brasil, e fora dele,
como uma das mais altas expressões da cultura
luso-brasileira. Filho do Prof. Alexandrino da Silveira
Bueno e da Profª Dª Antônia Maria
do Nascimento, o ilustre jarinuense é catedrático
de Filologia Portuguesa da Universidade de São
Paulo. Alexandrino da Silveira Bueno e D. Antônia
Maria do Nascimento foram os primeiros professores
(normalistas) de Campo Largo (Jarinu). Faleceram,
respectivamente, a 8 de Outubro de 1919 e 8 de Dezembro
de 1951 e estão enterrados em quadra perpétua
do Cemitério Municipal de Atibaia. Na lage
que cobre esse túmulo, o maior professor de
Jarinu, de São Paulo e do Brasil, sobejamente
conhecido no mundo inteiro, mandou insculpir, com
traços indeléveis de amor filial, estes
versinhos de célica doçura:
“Se velastes por nós, ó pais
amados,
Dando por nós o vosso coração,
Por vós choramos, hoje, desolados,
Em nossa amargurada solidão!”
(Parte de original transcrito em 23 de Maio de 1972,
de algo de concreto conseguido pelo Sr. Lázaro
Siqueira, sobre a nossa terra e a nossa gente: Jarinu.
Fonte: Decas PMJ).