No atual território
do município de Guaíba, encontramos sítios
arqueológicos representativos da cultura Guarani.
Segundo Laroque (2002), a primeira e mais antiga Tradição
* localizada nos campos abertos ao longo da borda do
rio Sinos, Cai, Taquari, Pardo, Jacuí e Laguna
dos Patos é a Tradição Umbu, conhecida
também, como o povo da flecha. Estas populações
indíginas teriam vivido entre 10.000 e 6.000
A.C.
“Os Guarani, pertencentes à Família
Lingüística Tupi-Guarani e portadores
da Tradição Ceramistas Tupiguarani ocupavam
as várzeas dos grandes rios como o Uruguai,
Jacuí e seus afluentes ou junto à Laguna
dos Patos totalizavam a maior parte da população.
Eram horticul-tores e ótimos ceramistas, mas
também se dedicavam à caça e
à pesca, além de praticarem a antropofagia”
(LAROQUE, 2002,p.115).
É possível afirmar que nas terras onde
temos o município de Guaíba, ocorreram
muitos confrontos entre índios e colonizadores,
tanto espanhóis como portugueses.
Estas populações sofreram violenta redução
demográfica, lutaram por seu espaço.
Porém, o avanço colonial e nacional
os empurrou para a desestruturação cultural
e a redução física de seu território,
causando sérias conseqüências que
atingem seus descendentes até hoje.
A disputa de fronteiras travada nos domínios
sul-americanos entre Portugal e Espanha envolveu,
também, a área que compreende o atual
município de Guaíba.
A distribuição das sesmarias foi um
sistema utilizado pela coroa portuguesa durante o
Brasil Colônia, para que terras devolutas ,
no sul do Brasil, fossem ocupadas.O sesmeiro, de origem
portuguesa ou açoriana, deveria ocupar as terras
com a criação do gado vacum, cavalar
e muar, erguer a sede da sesmaria e benfeitorias como
olaria, charqueadas, galpões, senzalas, capela,
cemitério e arvoredos, além de organizar
economicamente suas terras, deveria também
defendê-las militarmente a favor de Portugal
a fim de evitar a ocupação espanhola
e guarani.
“Depois da vitória sobre os espanhóis
(1776), todo o território ao sul do Rio Jacuí
foi ocupado pelos portugueses, até os limites
determinados, em 1777, pelo Tratado de Santo Idelfonso.
Foram distribuídas sesmarias em toda esta área.”
(VELLINHO, 1970,p.182).
As terras, pertenceram à sesmaria de Antônio
Ferreira Leitão. Concedida oficialmente em
1793, possuia três léguas de comprimento
e uma légua de largura (13 km²). Ferreira
Leitão era casado com Maria Meirelles de Menezes
, neta de Jerônimo de Ornelas, sesmeiro que
se estabeleceu nos altos do Morro Santana (Porto Alegre)
em 1732.
O povoado das Pedras Brancas, ao que tudo indica,
surgiu na segunda metade do século XIX, por
ser ponto de parada obrigatória para o gado.
Assim, surgem as charqueadas com a presença
da mão-de-obra escrava, do peão campeiro,
dos tropeiros e tropas de gado em nossa região.
Surgiu então, um pequeno vilamento com infra-estrutura
voltada para a economia pastoril. Ao mesmo tempo,
as terras do atual município de Guaíba
eram passagem para todos aqueles que, da região
Sul e Oeste, desejassem chegar até Porto Alegre.
A travessia era feita pelas águas do Lago
Guaíba. Para o escoamento da produção
e transporte de passageiros foram utilizados, inicialmente,
pirogas (embarcações indígenas),
canoas, barcos a vela e na segunda metade do século
XIX o barco a vapor.
A denominação Pedras Brancas está
vinculada à formação rochosa
existente na região, com aproximadamente 600
milhões de anos, e que apresenta as rochas
mais antigas do planeta, entre elas granito em forma
de monólitos ou matações. Este
tipo de rocha é característico do Escudo
Riograndense (Lutznberger, 1982).
A antiga sesmaria de Antônio Ferreira Leitão
passou, por herança, para sua filha Dona Isabel
Leonor, casada com José Gomes de Vasconcelos
Jardim.Esta fazenda foi escolhida pelos líderes
farroupilhas como ponto de encontro para as últimas
tratativas referentesà tomada de Porto Alegre,
por ser um local estratégico militar. Na casa
de Gomes Jardim (mais tarde vice-presidente da República
Riograndense) e sob a sombra do Cipreste Histórico,
foram acertados os planos para a invasão da
capital da província o que ocorreu às
23 horas da noite do dia 19 para 20 de setembro de
1835. Gomes Jardim.liderando 60 homens, partiu da
conhecida Praia da Alegria para atravessar o Guaíba
e unir-se às forças de Onofre Pires
que já esperavam na margem esquerda.
Guaíba Berço da Revolução
Farroupilha
“O título, Guaíba Berço
da Revolução Farroupilha surgiu na década
de 60, quando um CTG de Porto Alegre, chamado Maragato,
e com sede provisória em Guaíba, em
um desfile de cavalarianos no 20 de setembro, carregou
uma faixa com estes dizeres, homenageando o município.
Deste momento em diante a população
guaibense nunca mais deixou de citar a homenagem recebida”
(Gaston Leão).
Segundo o escritor Fernando Worm, a Igreja Nossa
Senhora do Livramento foi fundada por alvará
imperial de S. Majestade D. Pedro II em 17 de fevereiro
de 1857. O terreno foi doado por D. Isabel Leonor
por promessa feita à Mãe de Jesus, para
a qual pediu, no momento do parto, que protegesse
a sua vida e a do filho que esperava. A elevação
da Capela do Distrito das Pedras Brancas à
condição de Freguesia marca o processo
de transformação da antiga fazenda em
incipiente vila.
No ano de 1860 encontram-se as primeiras demarcações
de lotes com os respectivos nomes de ruas, caracterizando
assim o início do processo de urbanização.
No Rio Grande do Sul a corrente imigratória
reiniciou com o término da Guerra Farroupilha
(1845). Mais tarde em 1889 chegaram à Serra
do Herval (denominada assim até 1889), colonos
poloneses, italianos e alemães. A demarcação
dos lotes terminou em outubro de 1888, envolvendo
34 quadras e mais de 200 lotes. No início a
vila era chamada de Vila Bela, depois Serro Negro
e finalmente de Mariana Pimentel. A colônia
de Sertão Santana foi criada em 1893 por iniciativa
particular, predominando os imigrantes alemães
Os colonos dedicaram –se à agricultura
familiar, tendo como principais produtos a batata
doce, o fumo, o arroz, o milho e a criação
de animais. Quanto aos imigrantes suíço-valesanos,
estes chegaram no ano de 1895 na localidade conhecida
como Serrinha e Cêrro Maximiliano.
O ano de 1926 foi o ano da emancipação
política do então 9º distrito de
Porto Alegre – Pedras Brancas. O desejo de emancipação
expressou o sentimento de auto-suficiência econômica
e política. O município de Guaíba
criado pelo decreto nº 3.697, de 14 de outubro
de 1926 do Presidente do Estado Borges de Medeiros,
foi formado a partir dos territórios de Pedras
Brancas, Barra do Ribeiro e Mariana Pimentel ; respectivamente
9º, 10º e 11º distritos de Porto Alegre.
O que significa Guaíba:
O município criado em 14 de outubro de 1926
foi batizado de Guaíba em homenagem ao Lago
Guaíba. Esta denominação aparecia
em antigos textos e mapas do século XIX. Segundo
Theodoro Sampaio, a palavra Guaíba é
de origem tupi: Gua-ybe e tem o sentido de “baia
de todas as águas” . A grafia antiga
era Guahyba.
* Em arqueologia Tradição é
o conjunto de materiais com características
semelhantes, reunindo em geral diversas fases, dentro
de um espaço físico e temporal.