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De 01 de janeiro de 2005 à 31 de dezembro de 2008
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Primeiros Moradores

Os índios do Paraná pertenciam a duas grandes áreas culturais, a da floresta tropical (Oeste e Norte) e a marginal. No primeiro grupo está a grande família tupi guarani, com suas tribos e na segunda a família Gês onde se destaca o índio Ge-botocudo que habitava o sul de Rio Negro e sertão do tibagi, pelo menos nos últimos tempos foi a região de monte Taió e avançaram até Timbó e Canoinhas, e em suas correrias iam até os bosques do litoral catarinense, e para o oeste, até Palmas. (MARTINS, Romário, p43).

O Ge-botocudo paranaense (devido os homens utilizavam um enfeite labial para fora, designado tembetá), que por muito tempo foi o temor dos viajantes do caminho do sul, na direção doRio Grande, desaparece sem que nada se saiba dos seus costumes nem de seu vocabulário.

Certamente foram eles os senhores da região (inclusive Campo do Tenente), até a chegada dos civilizados.

Já no século XVIII, quando os campos da Lapa passaram a ser ocupados, os sesmeiros entrarm em conflito com os Xokleng que, em função de sucessivos deslocamentos, aí estavam instalados (CHMYZ, 1995:18)

A presença constante de paulistas no litoral sul da capitania no final do século XVI, com o duplo objetivo de prear índios, localizar e explorar metais preciosos, visava a satisfazer os mercados cada vez mais exigentes e consumidores. Após a descoberta do Rio da Prata, os movimentos ao longo de trechos do litoral paranaense não eram mais um privilégio dos paulistas, vicentistas e santistas, pois essa região passava a ser percorrida por espanhóis a procura de riquezas.

Através do bandeirismo que tinha como objetivo a caça de índios, somando se a ambição de encontrar pedras e metais preciosos, e esse movimento atinge as terras do Paraná a partir do século XVI onde inicia um sistema dominante de escravidão primeiramente com o índio e mais tarde o negro, e isso acontece em todos os centros econômicos coloniais.

Os índios Xokleng eram grupos arredios de caçadores, coletores e pouco agricultores, semi nômades, dependiam da caça e da coleta, eram os típicos habitantes das matas os quais resistiram à tentativas de aproximação com os grupos brancos.

Também conhecidos popularmente como bugres, tem-se notícia que em Campo do Tenente até 1960 haviam pequenos grupos de índios que até então não tinha contato com o homem branco. Em Campo do Tenente o maior reduto indígena era na localidade de Serrinha por esta região apresentar uma grande concentração de argila que chamava a atenção dos índios nas correrias pela nossa região, muitos vindos da região de Moema e Paraguassu em Itaiópolis. Segundo Luis Weber, morador da Serrinha, "a minha família encontrou alguns potes de argila feitos pelos bugres os quais foram vendidos a um museu, o valor das peças deu para saldar os prejuízos causados por uma forte geada que acabou com as plantas". Ainda é possível encontrar pedras que serviam de instrumento para a confecção de utensílios indígenas, os chamados potes de Bugre que era muito encontrado na região de Campo do Tenente.

Capitânias Hereditárias

O território que hoje forma o Estado do Paraná pertenceu às duas donatárias mais meridionais concedidas no Brasil (1534-1535) a Martin Afonso de Souza e a Pero Lopes de Souza, mais tarde conhecidas como capitanias de "São Vicente" depois que foi constituída a capitania de "São Paulo".

A 1o de dezembro de 1534, Pero Lopes de Souza recebeu a doação da Capitania de Santo Amaro de D. João III de Portugal que se estendia da barra de Paranaguá até ao sul de Laguna, sendo que na doação de juro herdada para todo o sempre. Incluía, presumivelmente o território de Campo do Tenente". (MARTINS, Romário p. 201)

A Capitania de São Vicente doada a Martin Afonso de Souza, compreendia desde a barra de São Vicente ou de Santos até 12 léguas ao sul da ilha da Cananéia, isto é, até a barra setentrional da enseada de Paranaguá.

Assim Pero Lopes de Souza pode ser citado como proprietário do solo tenenteano (D'Almeida, Raul, 1976 p.11).

Organizaram-se as capitanias hereditárias (1534); logo, o Governo Geral (1548) imaginava a possibilidade, com os poderes dados aos donatários de explorar a terra com a agricultura, povoa-la, com o intuito de defendê-la e torna-la rentável para a coroa.

Expedição espanhola de D. Álvar Nuñes Cabeza de Vaca

Com abertura do caminho pelo Rio Prata, os espanhóis amparados pelo tratado de Tordesilhas, estenderam seus domínios até a região ocidental do Paraná, no interior do continente. Surge então, um caminho chamado de Peabiru, percorrido por Álvar Nuñes Cabeza de vaca, entre 1541 e 1542.

Romário Martins em seu livro História do Paraná, relata que em 1541 Álvar Nuñes Cabeza de Vaca. Nomeado "adelantado" (governador) do Paraguai, com a missão de tomar posse para a coroa de Castela das terras ao ocidente da linha limítrofe e em São Francisco, desembarcando a 29 de março de 1541 na ilha de Santa Catarina, das três localidades se apossando em nome do seu rei.

Com 250 homens de armas, 36 cavalos e alguns índios vaqueanos, subiu o rio Itapucu, atravessou a serra do mar, à margem oriental do Campo do Tenente e o Iguaçu nas proximidades de Araucária.

Partindo desse pressuposto o solo tenenteano poderia ter pertencido a coroa espanhola que tinha delegado poder ao adelantado Alvar Nuñes Cabeza de Vaca que denominou as terras como "Província de Vera". Ao passar por esta região D. Álvar seguiu viagem para o norte seguindo em direção aos rio Ivaí e Piquiri, cruzou-os e chegou ao Iguaçu que acompanhou até descobrir as Cataratas. Dali seguiu rumo a Assunção.

Bandeirismo

O bandeirismo é um termo usado na historiografia brasileira com o sinônimo de bando armado que tinha o objetivo de prear índios, tomar terras e encontrar ouro. Os bandeirantes foram responsáveis pela expansão da ocupação territorial do Brasil, além de serem os traficantes de escravos, neste caso, a escravidão indígena.

As primeiras bandeiras que chegaram a nossa região foi a de Zacarias Dias de Cortes em 1720, e em seguida a Capitania de São Paulo designou duas bandeiras em 1729, com a finalidade de abertura de uma via de comunicação, os bandeirantes eram Bartolomeu Paes Godinho e Luiz Pedroso de Barros, bandeiras confiadas ao sargento mor Francisco de Souza Farias e ao Tenente Coronel Manoel Rodriguez da Mota, este indicado pela Câmara de Curitiba.

O tenente coronel Manoel Rodriguez de Mota deveria abrir picada até os campos de Lages, e Francisco de Souza Farias, de Laguna, até encontrar-se com a do Mota, tendo ambas o objetivo de facilitar a comunicação entre a Colônia de Sacramento. Talvez o município de Campo do Tenente esteja ligado ao nome do Tenente Manoel Rodriguez da Mota, que merece um estudo aprofundado.

Fonte: Trajetória Histórica de Campo do Tenente
Prefeitura Municipal de Campo do Tenente - PR - 2004
Autor: Régis Luis da Silva
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