Primeiros
Moradores
Os índios do Paraná pertenciam a duas
grandes áreas culturais, a da floresta tropical
(Oeste e Norte) e a marginal. No primeiro grupo está
a grande família tupi guarani, com suas tribos
e na segunda a família Gês onde se destaca
o índio Ge-botocudo que habitava o sul de Rio
Negro e sertão do tibagi, pelo menos nos últimos
tempos foi a região de monte Taió e avançaram
até Timbó e Canoinhas, e em suas correrias
iam até os bosques do litoral catarinense, e
para o oeste, até Palmas. (MARTINS, Romário,
p43).
O Ge-botocudo paranaense (devido os homens utilizavam
um enfeite labial para fora, designado tembetá),
que por muito tempo foi o temor dos viajantes do caminho
do sul, na direção doRio Grande, desaparece
sem que nada se saiba dos seus costumes nem de seu vocabulário.
Certamente foram eles os senhores da região (inclusive
Campo do Tenente), até a chegada dos civilizados.
Já no século XVIII, quando os campos da
Lapa passaram a ser ocupados, os sesmeiros entrarm em
conflito com os Xokleng que, em função
de sucessivos deslocamentos, aí estavam instalados
(CHMYZ, 1995:18)
A presença constante de paulistas no litoral
sul da capitania no final do século XVI, com
o duplo objetivo de prear índios, localizar e
explorar metais preciosos, visava a satisfazer os mercados
cada vez mais exigentes e consumidores. Após
a descoberta do Rio da Prata, os movimentos ao longo
de trechos do litoral paranaense não eram mais
um privilégio dos paulistas, vicentistas e santistas,
pois essa região passava a ser percorrida por
espanhóis a procura de riquezas.
Através do bandeirismo que tinha como objetivo
a caça de índios, somando se a ambição
de encontrar pedras e metais preciosos, e esse movimento
atinge as terras do Paraná a partir do século
XVI onde inicia um sistema dominante de escravidão
primeiramente com o índio e mais tarde o negro,
e isso acontece em todos os centros econômicos
coloniais.
Os índios Xokleng eram grupos arredios de caçadores,
coletores e pouco agricultores, semi nômades,
dependiam da caça e da coleta, eram os típicos
habitantes das matas os quais resistiram à tentativas
de aproximação com os grupos brancos.
Também conhecidos popularmente como bugres, tem-se
notícia que em Campo do Tenente até 1960
haviam pequenos grupos de índios que até
então não tinha contato com o homem branco.
Em Campo do Tenente o maior reduto indígena era
na localidade de Serrinha por esta região apresentar
uma grande concentração de argila que
chamava a atenção dos índios nas
correrias pela nossa região, muitos vindos da
região de Moema e Paraguassu em Itaiópolis.
Segundo Luis Weber, morador da Serrinha, "a minha
família encontrou alguns potes de argila feitos
pelos bugres os quais foram vendidos a um museu, o valor
das peças deu para saldar os prejuízos
causados por uma forte geada que acabou com as plantas".
Ainda é possível encontrar pedras que
serviam de instrumento para a confecção
de utensílios indígenas, os chamados potes
de Bugre que era muito encontrado na região de
Campo do Tenente.
Capitânias Hereditárias
O território que hoje forma o Estado do Paraná
pertenceu às duas donatárias mais meridionais
concedidas no Brasil (1534-1535) a Martin Afonso de
Souza e a Pero Lopes de Souza, mais tarde conhecidas
como capitanias de "São Vicente" depois
que foi constituída a capitania de "São
Paulo".
A 1o de dezembro de 1534, Pero Lopes de Souza recebeu
a doação da Capitania de Santo Amaro de
D. João III de Portugal que se estendia da barra
de Paranaguá até ao sul de Laguna, sendo
que na doação de juro herdada para todo
o sempre. Incluía, presumivelmente o território
de Campo do Tenente". (MARTINS, Romário
p. 201)
A Capitania de São Vicente doada a Martin Afonso
de Souza, compreendia desde a barra de São Vicente
ou de Santos até 12 léguas ao sul da ilha
da Cananéia, isto é, até a barra
setentrional da enseada de Paranaguá.
Assim Pero Lopes de Souza pode ser citado como proprietário
do solo tenenteano (D'Almeida, Raul, 1976 p.11).
Organizaram-se as capitanias hereditárias (1534);
logo, o Governo Geral (1548) imaginava a possibilidade,
com os poderes dados aos donatários de explorar
a terra com a agricultura, povoa-la, com o intuito de
defendê-la e torna-la rentável para a coroa.
Expedição espanhola de D. Álvar
Nuñes Cabeza de Vaca
Com abertura do caminho pelo Rio Prata, os espanhóis
amparados pelo tratado de Tordesilhas, estenderam seus
domínios até a região ocidental
do Paraná, no interior do continente. Surge então,
um caminho chamado de Peabiru, percorrido por Álvar
Nuñes Cabeza de vaca, entre 1541 e 1542.
Romário Martins em seu livro História
do Paraná, relata que em 1541 Álvar Nuñes
Cabeza de Vaca. Nomeado "adelantado" (governador)
do Paraguai, com a missão de tomar posse para
a coroa de Castela das terras ao ocidente da linha limítrofe
e em São Francisco, desembarcando a 29 de março
de 1541 na ilha de Santa Catarina, das três localidades
se apossando em nome do seu rei.
Com 250 homens de armas, 36 cavalos e alguns índios
vaqueanos, subiu o rio Itapucu, atravessou a serra do
mar, à margem oriental do Campo do Tenente e
o Iguaçu nas proximidades de Araucária.
Partindo desse pressuposto o solo tenenteano poderia
ter pertencido a coroa espanhola que tinha delegado
poder ao adelantado Alvar Nuñes Cabeza de Vaca
que denominou as terras como "Província
de Vera". Ao passar por esta região D. Álvar
seguiu viagem para o norte seguindo em direção
aos rio Ivaí e Piquiri, cruzou-os e chegou ao
Iguaçu que acompanhou até descobrir as
Cataratas. Dali seguiu rumo a Assunção.
Bandeirismo
O bandeirismo é um termo usado na historiografia
brasileira com o sinônimo de bando armado que
tinha o objetivo de prear índios, tomar terras
e encontrar ouro. Os bandeirantes foram responsáveis
pela expansão da ocupação territorial
do Brasil, além de serem os traficantes de escravos,
neste caso, a escravidão indígena.
As primeiras bandeiras que chegaram a nossa região
foi a de Zacarias Dias de Cortes em 1720, e em seguida
a Capitania de São Paulo designou duas bandeiras
em 1729, com a finalidade de abertura de uma via de
comunicação, os bandeirantes eram Bartolomeu
Paes Godinho e Luiz Pedroso de Barros, bandeiras confiadas
ao sargento mor Francisco de Souza Farias e ao Tenente
Coronel Manoel Rodriguez da Mota, este indicado pela
Câmara de Curitiba.
O tenente coronel Manoel Rodriguez de Mota deveria abrir
picada até os campos de Lages, e Francisco de
Souza Farias, de Laguna, até encontrar-se com
a do Mota, tendo ambas o objetivo de facilitar a comunicação
entre a Colônia de Sacramento. Talvez o município
de Campo do Tenente esteja ligado ao nome do Tenente
Manoel Rodriguez da Mota, que merece um estudo aprofundado.
Fonte: Trajetória Histórica de Campo do
Tenente
Prefeitura Municipal de Campo do Tenente - PR - 2004
Autor: Régis Luis da Silva
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