| Já no século
XVI era conhecido o caminho de tropas que, de São
Paulo, atingia Viamão, no Rio Grande do Sul,
passando pelos Campos Gerais, no Paraná, planalto
de Santa Catarina, Vacaria e outras localidades. A abertura
desse caminho histórico, que desde os primeiros
tempos foi conhecido pela denominação
de Caminho de Sorocaba, deve-se a iniciativa dos tropeiros
de gado do sul do país, cujo comércio
com as famosas feiras daquela cidade paulista, vinha
de data remotíssima. Dos "pousos" dos
tropeiros foram nascendo ao longo do caminho numerosas
povoações, muitas das quais se transformaram
em cidades importantes, tais como: Jaguariaíva,
Castro, Ponta Grossa, Palmeira, Campo Largo, Piraí
do Sul, Lapa e Rio Negro originárias desses "pousos"
ou "acampamentos" dos feirantes de Sorocaba.
Eis como Rocha Pombo descreve o Caminho de Sorocaba:
"O caminho para São Paulo, pelos Campos
Gerais, foi aberto desde os primeiros tempos do povoado.
O traçado cortava apenas alguns capões
(onde os viajantes descansavam ou faziam suas pousadas),
preferindo-se em geral, o campo aberto, onde a conservação
dos caminhos era mais fácil. Desde que se saía
de Curitiba, andava-se fazendo uma enorme curva até
o passo de Itararé para São Paulo.
Sobre esse caminho primitivo foram se formando povoados,
tornando-se mais notáveis aqueles onde as caravanas
(tropas) costumavam fazer o pernoite".
Depois de mencionar os diversos itinerários seguidos
pelos caminhos de Sorocaba, citando "Mapas"
e outros documentos, diz Romário Martins:
"Pelo visto ligava-se grande importância
a esse caminho que a tinha inegavelmente, pois foi em
seu tempo, a única comunicação
terrestre de São Paulo aos confins meridionais
do Brasil e o incentivo para as povoações
que, devido a ele, pontearam os campos do seu percurso
e que, muitas delas, se transformaram em vilas e cidades,
como no Paraná: Jaguariaíva, Piraí
do Sul, Castro, Ponta Grossa, Campo Largo, Lapa e Rio
Negro".
O povoamento da localidade onde hoje se encontra Piraí
do Sul, foi iniciado em princípios do século
XVII, numa gleba de propriedade do Padre Lucas Rodrigues
França, filho do Capitão-Governador João
Rodrigues França. A fazenda propriedade do Padre
Lucas se localizava no vale do rio Piraí. O primitivo
nome da localidade foi o de Bairro da Lança,
tirado de uma das primeiras famílias que habitaram
o lugar.
Com o estabelecimento de Manoel da Costa Ferreira e
sua esposa, Ana Maria Tenória, efetuando alguns
anos mais tarde aumentou-se o número de moradores
da povoação que nessa altura, já
contava com regular efetivo de habitantes. Nos meados
do século XVIII os moradores dos Bairros de Piraí,
Lança, Fundão e outros, sentiam a necessidade
de uma capela, onde pudessem praticar o culto religioso
e cogitaram então de erguê-la sob a invocação
de Nossa Senhora de Sant' Ana. Ana Mendes Tenória,
auxiliada pelo seu marido Manoel da Costa Ferreira,
tratou de doar o terreno necessário à
ereção da capela, o qual se situava no
lugar denominado de Campo Comprido, além do rio
Piraí, o que foi feita por escritura pública
lavrada em Tabelião de Notas, dando ainda, como
contribuição para o mesmo fim, trinta
novilhas e quatro touros. O contrato estabelecia que
a capela seria construída com o auxílio
dos moradores e vizinhos da localidade, ficando a doação
sem efeito, na hipótese de não ser construída
a igreja.
O fervor e o entusiasmo de Ana Tenória fez com
que lançasse mão à obra, não
esmorecendo e contou com o apoio dos demais moradores,
surgindo afinal o templo. Seu marido, adquiriu a imagem
da Padroeira Nossa Senhora Sant' Ana, bem como os parâmetros
e alfaia necessários ao culto divino. A morte
porém, veio surpreendê-lo, quando consagrava
seus últimos dias à execução
da obra, que idealizava juntamente com sua esposa, na
satisfação de seu desejo religioso de
criar uma nova freguesia em Piraí. Ana Mendes,
também não sobreviveu muito tempo ao seu
marido. Mortos os protetores e fundadores da capela
de Sant' Ana do Piraí, o abandono trouxe para
a Capela, ruinas das mais desoladoras. Em 1765 estava
ela caindo aos pedaços; as imagens e os parâmetros
encontravan-se em poder de particulares e tudo jazia
no mais completo abandono. Por esse tempo o visitador
ordinário, o Padre Manoel Francisco Villela,
vigário da paróquia de Santos, em visita
que ali realizou, determinou que os objetos sagrados
passassem a ser recolhidos à Matriz de Curitiba
, até que a Capela de Piraí fosse reconstruída.
Nos meados do século XIX os moradores do bairro
da Lança, erigiram a Capela do Senhor Menino
Deus e em torno do novo templo, se foram erguendo vivendas
que formaram a povoação de Lança.
Dentre os primitivos habitantes da localidade, destacaram-se
João da Lança, Joaquim Guerreiro e outros.
Pela Lei nº 329 de 12 de Abril de 1872, o povoado
de Lança foi elevado a categoria de freguesia,
com a denominação de Freguesia do Senhor
Menino Deus de Piraí, integrando o território
do Município de Castro. Em virtude da Lei provincial
nº 631 de 5 de março de 1881, Piraí
foi elevado a categoria de Vila, com território
desmembrado de Castro.
O novo município foi instalado solenemente em
24 de Julho de 1882, data em que foi também empossada
a primeira Câmara Municipal. Ao efetuar-se a revisão
do quadro territorial do Estado, em 1943 a denominação
do município foi alterada para Mirim, por força
do Decreto-lei Estadual nº 2 de 10 de outubro de
1947, ainda uma vez modificada a denominação
do Município, que passou a denominar-se Piraí
do Sul, nome que ainda conserva até a presente
data.
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