Os primeiros habitantes
de São Francisco de Paula foram os índios
CAAGUARAS, que estendiam suas aldeias pelas Serras Geral
e do Mar. Faziam parte da tribo dos Coroados. Usavam
pelegos para se aquecer no rigoroso inverno serrano.
Caçavam, pescavam e comiam frutos e sementes.
Moravam em cavernas cavadas ou naturais. Eram pacíficos
e respeitavam a natureza.
É importante frisar alguns dados que em todos
os documentos publicados deixaram de constar:
1 - O nome exato é CAAGUARAS, só, pois
CAÁGUA- designava a região onde moravam
os caaguaras que compreendiam os campos de cima da serra
(uma parte de Bom Jesus, Cambará do Sul, Jaquirana
(onde temos alguns fósseis)e grande parte de
São Chico.
2 - Os caaguaras não falavam, comunicavam-se
entre si através de grunhidos e gritos, eram
muito pacíficos.
3 - Eram conhecidos também por COROADOS, porque
revestiam a parte de suas cabeças com uma mistura
de cera e mel silvestre.
4 - Eram os últimos remanescentes dos sambaquis
da América do Sul (Pré-História).
5 - Foram dizimados pelos bandeirantes e pelos Caiangangues,
habitantes das matas da região de Caxias do Sul,
muito ferozes, tribo esta que matou o Jesuíta
D. Cristóbal de Mendoza, no local da Água
Azul, em Sta. Lúcia do Piaí, Caxias do
Sul.
6 - Os CAAGUARAS que não foram mortos, foram
levados pelos Jesuítas para as Missões
e lá foram a extinção.
Com as incursões bandeirantes rumo ao Sul do
Brasil, terminaram como presas fáceis dos paulistas
de Sorocaba que fizeram destes índios mão-de-obra
escrava.
Por volta de 1700, estavam praticamente dizimados pelos
bandeirantes e por doenças.
No final do século XVIII, com a expanSão
da mineração na zona das Gerais, paulistas,
lagunistas e outros desceram para o Rio Grande do Sul,
para buscar mulas para a zona mineradora, já
que nosso Estado passou a ser o grande fornecedor de
animais de tração, próprios para
a atividade extrativa. Neste contexto, entra São
Francisco de Paula, pois o caminho das tropas partia
da altura de Palmares do Sul, atravessava o atual território
de Santo Antônio da Patrulha, alcançava
o planalto pelos Campos de Cima da Serra, indo na direção
de Lages, avançando para Sorocaba. Foi com o
transitar dos tropeiros por este caminho que teve início
o processo de ocupação dos Campos de Cima
da Serra, recebendo os primeiros sesmeiros.
O capitão Pedro da Silva Chaves, um português
estabelecido em Itu (SP), foi um dos pioneiros. Assim
escreve o historiador e professor Ruy Ruben Ruschel:
''Andei estudando um texto do antigo historiador Manuel
Duarte e cheguei a interessantes conclusões.
A atual Área urbana franciscana pertenceu, desde
antes de 1742, ao famoso Francisco Pinto Bandeira, que
a legalizou em 1752, com o nome de FAZENDA DA CRIA,
topônimo que ainda se conserva nos arredores dessa
cidade. Conforme constatei, pela análise de outro
documento um roteiro de 1745, o dito fazendeiro desloco-se
uns 10 km mais para leste, fixando-se nas cabeceiras
do Arroio do Pinto, afluente superior esquerdo do Rio
Santa Cruz. Do nome do célebre fazendeiro teria
surgido a denominação do rio - Rio do
Pinto.
É então que o capitão Pedro da
Silva Chaves lhe compra a Área em que hoje está
inserida a cidade. Mas onde estaria a sede dessa nova
fazenda? Seria na mesma zona da '' Fazenda da Cria ''
anterior? O certo é que o capitão Pedro
da Silva Chaves já possuía outros campos
a leste, vindo a adquirir, depois, também, a
'' Fazenda do Cerrito'', ao Norte, e outras mais, tornando-se
um dos latifundiários mais importantes da região.
Ele ou seus herdeiros é que doaram à comunidade
a Área que hoje contém o centro urbano''.
A cidade de São Francisco de Paula, portanto,
teve seu início com Pedro da Silva Chaves, militar
português, natural de Lisboa, casado com Gertudres
de Godoy, descendente de ilustre família paulista,
natural de Itu. Como se depara, ele teria doado uma
porção de terra, juntamente com algumas
vacas, para o patrimônio de uma capela que ele
mesmo construira e que seu filho, o padre José
da Silva Leal Lemos, viria a ser o primeiro capelão,
ali rezando suas missas.
A esta igreja, Pedro, falecido em 1777, lhe dera o nome
de São Francisco de Paula, por ser o santo de
sua devoção. Em 1809, a Capitania do Rio
Grande de São Pedro do Sul, hoje estado do Rio
Grande do Sul, era dividida em quatro grandes municípios:
Porto Alegre, Rio Grande, Rio Pardo e Santo Antônio
da Patrulha.
Santo Antônio da Patrulha era constituída
da Vila de Santo Antônio da Patrulha, que era
a sede do Município das freguesias de Nossa Senhora
da Conceição do Arroio ( hoje Osório)
e Nossa Senhora da Oliveira da Vacaria ( hoje Vacaria
) e do povoado de Cima da Serra ( hoje São Francisco
de Paula ).
De Santo Antônio da Patrulha, que foi nosso município
mãe fizeram parte as freguesias de Nossa Senhora
das Oliveiras da Vacaria e de Nossa Senhora da Conceição
do Arroio e as Capelas de Santa Cristina do Pinhal,
São Domingos das Torres e Povoados de Cima da
Serra.
Assim, em 1835, São Francisco de Paula tinha
a denominação de Capela, desconhecendo-se
a data de elevação a essa categoria, sabendo-se,
entretanto, que já existia uma igreja.
Pela Lei Provincial n.º 266, de 30 de novembro
de 1852, a capela de Cima da Serra, foi elevada à
categoria de FREGUESIA DE CIMA DA SERRA, cujo território
continuou pertencendo a Santo Antônio da Patrulha.
Em 24 de maio de 1878, pela Lei n.º 1.152, passou
à categoria de Vila, ficando assim, com a denominação
de São FRANCISCO DE PAULA DE CIMA DA SERRA. Sua
instalação verificou-se em 15 de outubro
de 1878.
Pela Lei n.º 1.750, de 15 de março de 1889,
foi extinto o Município de São Francisco,
anexando-o ao de Taquara do Mundo Novo ( hoje Taquara
). Entretanto, a 06 de dezembro do mesmo ano, o Governo
do Estado, por Ato n.º 26, revogou a referida lei.
Em 1º de setembro de 1892, face ao Ato n.º
302, o município de São Francisco de Paula
era extinto e anexado ao vizinho município de
Taquara do Mundo Novo, novamente.
Pelo Decreto n.º 563, de 23 de dezembro de 1902,
foi restabelecido, definitivamente, o município
de São FRANCISCO DE CIMA DA SERRA, sendo essa
sua data de Criação.
''Que condições econômicas São
Francisco de Paula tinha, na ocasião de sua emancipação?''
'' Por que ele se emancipara e, depois, torna a ser
anexado a Taquara?''
Verifica-se que foi uma questão econômica.
São Francisco, do ponto de vista econômico-financeiro,
era bastante fraco, em função da própria
atividade a que se dedicava. Havia muitas disputas políticas,
o que, também contribuiu, de maneira secundária.
Nesta época, São Marcos decide se anexar
a Caxias. A grande reclamação era de que
São Francisco não atendia São Marcos.
Não havia escolas, nem estradas, nenhuma infra-estrutura.
Não por má vontade de São Francisco,
porque este também não possuía.
A primeira professora da região foi nomeada pela
Câmera de Santo Antônio da Patrulha-Professora
Maria Luísa.
São Francisco sempre teve, no século passado,
muitos altos e baixos. De modo especial, os ASSISISTAS,
os BORGISTAS e os MARAGATOS, na grande diviSão
que tínhamos lá. Inclusive, se fala muito
de refúgio da Guerra do Paraguai, da Guerra dos
Farroupilhas. Escondiam-se nas invernadas de São
Marcos e na região que vai até Vacaria.
Em 1889, eles não tinham condições
financeiras de levar o município adiante. Ficaram
seis meses dependendo de Taquara.
Depois, acharam que tinham condições e
retornaram, no fim do ano de 1889, à categoria
de município.Agüentaram três anos,
pedindo, novamente, socorro à Taquara. O município
de São Francisco só conseguiu se organizar
e estruturar, quando JONATHAS ABBOTT, vindo de Porto
Alegre, foi nomeado para a função de intendente,
em 1902. Daí para a frente o município
começou a estruturar-se administrativamente.
Quando os próprios nativos de São Francisco
estavam dirigindo os negócios, em função
das divisões existentes, enfrentavam dificuldades
devido às disputas políticas. Um segmento
estando no poder, o outro, naturalmente, estava "armado"
para destituí-lo do mesmo. A instalação
administrativa do município verificou-se no dia
07 de janeiro de 1903.
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