Daqui a cerca
de dois meses, milhares de estudantes irão
enfrentar os vestibulares para 2005. Quem passou
o ano se preparando para os exames mais concorridos
deve agora valorizar o que já sabe, ao
invés de tentar compreender assuntos que
não foram bem assimilados. A orientação
é do prof. Ernesto Birner, coordenador
do Anglo Vestibulares e orientador de pré-vestibulandos
há mais de vinte anos.
Ele explica que é um erro o aluno achar
que precisa dominar todos os assunto para ingressar
em uma boa universidade. "É impossível
saber tudo e, aliás, nem é necessário",
diz. De acordo com o coordenador, o estudante
precisa conhecer a maior parte dos conteúdos
exigidos nos exames, mas nenhuma prova exige 100%
de acerto. "É natural que o vestibulando
não consiga aprender determinados tópicos.
O que ele deve fazer agora é se empenhar
em aprimorar os conhecimentos já adquiridos".
Um exemplo é o candidato que vai prestar
medicina na Fuvest, um dos cursos mais concorridos
do país: caso ele não tenha compreendido
durante o ano o tópico referente à
Embriologia - normalmente cobrado em um teste
da prova, ele não deve "perder tempo"
tentando entender a matéria. Birner explica
que, para conseguir um bom resultado, o estudante
deve acertar cerca de 80 questões, já
que a nota de corte gira em torno de 70 (a 1ª
fase da Fuvest conta com cem testes). "Por
isso, não vale a pena ele investir em Embriologia,
e sim aproveitar o tempo para garantir as matérias
já assimiladas e que podem lhe render o
acerto dos 80 testes", garante.
ReviSão - Com a aproximação
das provas, o coordenador aconselha dar início
à reviSão, que, segundo ele, possui
duas vantagens: "revendo o que ele imaginava
já ter esquecido, o aluno fica mais confiante;
além disso, existem pontos ainda não
sedimentados das matérias que podem ser
melhorados com a reviSão", afirma.
Nesse caso, rever provas e simulados realizados
durante o ano é uma boa dica.
Outro aspecto importante é não alterar
a rotina de estudos, respeitando seus próprios
limites. "Aumentar as horas de estudo nessa
fase pode comprometer o desempenho do candidato,
que naturalmente não apresenta o mesmo
"gás" do início do ano".
Algumas "paradas" entre os estudos também
podem contribuir, assim como espaços para
atividades que proporcionem bem-estar. "Assistir
a um filme, conversar com os amigos e descansar
nos finais de semana ajudam o vestibulando a relaxar",
lembra Birner. Não cometer excessos com
a alimentação e equilibrar as horas
de sono também é essencial. "O
bom senso é a melhor forma de dosar o ritmo
de cada um", conclui.
O papel dos pais
Acostumado a lidar também com pais de alunos,
o coordenador do Anglo faz um alerta: assim como
os vestibulandos, os pais devem encontrar um equilíbrio,
evitando serem omissos ou exigentes demais, já
que ambos os casos podem prejudicar o desempenho
do aluno. "O pai desinteressado faz o aluno
se sentir 'órfão' e o exigente exerce
muita presSão, fator extremamente prejudicial
nesse momento", esclarece.
A sugestão é que as famílias
atuem como "parceiras" do aluno, acompanhando
o que está acontecendo, sem cobranças.
"É importante lembrar que o vestibular
é uma fase difícil, de grande competitividade.
A possibilidade do aluno não passar existe
e deve ser encarada com naturalidade", conclui.
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